Política Crianças
Mato Grosso do Sul: o epicentro da violência sexual contra crianças e adolescentes
Estado lidera o país em estupros e aliciamento, com crimes cometidos principalmente dentro de casa por familiares e conhecidos
29/08/2025 13h01
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Mato Grosso do Sul ocupa um lugar trágico e inaceitável no Brasil: é o estado com os maiores índices de violência sexual contra crianças e adolescentes. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que reúne informações até 2024, revelam um cenário de horror que não cede e, em alguns casos, se intensifica.

Em 2023, foram registrados 2.215 casos de abuso sexual entre menores de 0 a 19 anos — uma taxa de 275,1 ocorrências a cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. Crianças e adolescentes representam três quartos das vítimas, sendo que menores de 14 anos enfrentam o risco extremo de estupro de vulnerável. Apenas no ano passado, 420 casos de conjunção carnal com vulnerável foram consumados, somados a aproximadamente 2,6 mil registros de atos libidinosos e atentados violentos ao pudor.

Os números de 2024 indicam crescimento: entre crianças de 10 a 13 anos, os casos de aliciamento para estupro subiram de 36 para 42, enquanto na faixa de 5 a 9 anos o número passou de 13 para 20.

O local e o autor do crime revelam uma brutalidade silenciosa: 65,1% dos estupros ocorreram dentro de residências, e 63,3% dos agressores eram familiares, seguidos por 22,2% conhecidos das vítimas. Esse padrão evidencia a dificuldade de denúncia e a urgência de redes de proteção efetivas.

Dourados lidera o ranking municipal, com 343,2 ocorrências por 100 mil habitantes (0–13 anos). Campo Grande e Três Lagoas também estão entre as 50 cidades mais críticas do país em estupro de vulnerável. Além disso, em 2024, 2,8 crianças e adolescentes por 100 mil habitantes morreram de forma violenta, principalmente na faixa de 12 a 17 anos.

A situação, embora presente em todo o Brasil, bate recordes em Mato Grosso do Sul, onde meninas e meninos pagam o preço mais alto da violência sexual. Crimes virtuais também crescem: o Brasil subiu da 27ª para a 5ª posição mundial em denúncias de abuso online contra menores em 2024.

Especialistas alertam que punir agressores não é suficiente. É necessária uma ação coordenada entre governo, Justiça e sociedade civil, com prevenção, educação, acolhimento e fortalecimento das redes de proteção, antes que o estado continue a liderar um ranking que representa milhares de vidas e infâncias destruídas.

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*Com informações OSM