Educação Educação
Atraso no PCDT da Sobrecarga de Ferro prejudica pacientes
Texto aprovado pela CONITEC em julho de 2025 aguarda oficialização. Demora pode impactar pacientes com risco de complicações graves.
16/01/2026 12h10
Por: WK Notícias Fonte: Agência Dino

Há mais de cinco meses, pacientes que convivem com anemia falciforme, talassemia e outras doenças que exigem transfusões de sangue frequentes aguardam a publicação da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Sobrecarga de Ferro. Comunidade médica também aguarda a publicação.

Apesar de o texto ter sido aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) em julho, a versão atualizada ainda não foi oficializada pelo governo federal, prolongando um cenário de incerteza que expõe milhares de brasileiros a riscos graves, como danos cardíacos, hepáticos e renais decorrentes do acúmulo excessivo de ferro no organismo.

A sobrecarga de ferro é uma complicação comum em pacientes que necessitam de transfusão regular de sangue. Sem o controle adequado, o excesso de ferro se acumula em órgãos vitais como coração, fígado e rins, podendo levar à falência de órgãos e morte prematura. O tratamento é feito com medicamentos chamados quelantes de ferro, que ajudam a remover o excesso do organismo.

O PCDT em vigor atualmente é de 2018 e contempla exclusivamente a deferiprona na dose de 500 mg, administrada três vezes ao dia. Além disso, a diretriz atual preconiza o uso da medicação apenas por pacientes com talassemia, excluindo quem tem anemia falciforme, e não abrange pessoas de 6 a 10 anos de idade.

Já a versão atualizada do protocolo inclui a nova formulação da deferiprona, de 1.000 mg, com administração duas vezes ao dia, o que pode representar um avanço na adesão ao tratamento.

"Quando melhoramos a adesão ao tratamento, conseguimos reduzir a sobrecarga de ferro e, consequentemente, diminuir a toxicidade nos órgãos-alvo. A demora na atualização do PCDT impede que esses benefícios cheguem mais cedo ao paciente", afirma a hematologista Patrícia Gomes Moura (CRM 5260347-3), do Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti, mais conhecido como Hemorio.

Mesmo representando um avanço clínico importante, a nova formulação da deferiprona não implica aumento relevante de custo em relação à versão anterior, havendo apenas possíveis variações relacionadas à tributação. Ou seja, é uma solução que alia inovação terapêutica, melhoria da adesão e sustentabilidade para o sistema público de saúde.

Enquanto a publicação do novo PCDT e a atualização da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPM) do SUS não são efetivadas, o acesso à terapia na rede pública de saúde permanece limitado.

Essa indefinição impacta diretamente a rotina e a expectativa de vida dos pacientes, que continuam expostos aos riscos do excesso de ferro, mesmo diante da existência de uma diretriz já aprovada para ampliar o acesso a uma alternativa terapêutica mais adequada.

"A sobrecarga de ferro não dá sintomas no início. O paciente não sente dor, não percebe o problema no dia a dia. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes já existe disfunção de órgão. Por isso, tratar precocemente e garantir adesão é fundamental", reforça a médica.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem entre 60 mil e 100 mil pessoas vivendo com anemia falciforme, além de pacientes com talassemia e outras anemias raras que também sofrem com a sobrecarga de ferro. A demora na atualização do PCDT impacta diretamente essa população.

Além do impacto clínico, a falta de acesso ao tratamento adequado pode representar um possível aumento de gastos para o sistema público de saúde devido a complicações, internações e tratamentos de alta complexidade – um cenário que poderia ser minimizado com a publicação e a implementação do novo protocolo.

"Se o protocolo já foi aprovado e só falta a publicação, estamos atrasando o uso de uma ferramenta que poderia melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. Esse atraso impacta negativamente o cuidado e pode contribuir para o agravamento clínico", declara a médica Patrícia Moura.

A publicação urgente da atualização do PCDT é considerada fundamental por especialistas, associações de pacientes e familiares, que aguardam há meses uma definição oficial por parte do governo federal.

Sobre o Grupo Chiesi

A Chiesi é um grupo biofarmacêutico internacional que pesquisa, desenvolve e comercializa soluções inovadoras em saúde respiratória, doenças raras e cuidados especializados. A missão da empresa é melhorar a qualidade de vida, agindo com responsabilidade em benefício das pessoas e do planeta. Ao mudar seu status legal para uma Corporação Beneficente na Itália, nos Estados Unidos, na França e na Colômbia, o compromisso da Chiesi de criar e compartilhar valor com a sociedade é juridicamente vinculativo e central para a tomada de decisões na empresa. Desde 2019, a Chiesi é uma Empresa B certificada, o que significa que faz parte de uma comunidade global de organizações que atendem a elevados padrões de impacto social e ambiental. A empresa tem como meta zerar suas emissões de gases de efeito estufa até 2035. Com 90 anos de experiência, a Chiesi está sediada em Parma (Itália), tem afiliadas em 31 países e conta com 7,5 mil funcionários. O centro de pesquisa e desenvolvimento do Grupo em Parma trabalha ao lado de outras seis unidades na França, Estados Unidos, Canadá, China, Reino Unido e Suécia. Mais informações em www.chiesi.com.

Sobre a Chiesi Brasil

Primeira filial do Grupo fora da Itália, a Chiesi Brasil opera no país desde 1976, onde mantém uma fábrica especializada na produção de medicamentos inalatórios, sólidos e líquidos. A produção abastece o mercado nacional, afiliadas e terceiros. Desde 2011, a Chiesi Brasil é parceira do governo federal no Programa Farmácia Popular e oferece gratuitamente medicamentos para o tratamento da asma e da rinite alérgica à população. A operação conta com cerca de 400 colaboradores e está entre as 10 maiores do Grupo. Mais informações em www.chiesi.com.br.