Por Wilton Acosta – Analista em Teologia e Geopolítica Cristã
Artigo de Opinião – 28 de fevereiro de 2026
As últimas horas mudaram o tom do noticiário internacional. O Oriente Médio voltou ao centro das atenções após uma série de ataques militares que envolveram Estados Unidos, Israel e o Irã, inaugurando um novo momento de instabilidade e preocupação global.
Relatos divulgados por diferentes agências de notícias indicam que, entre os alvos atingidos, estavam centros de comando e figuras de alto escalão do regime iraniano. A eliminação de autoridades militares representa um salto qualitativo no conflito, pois ultrapassa o campo simbólico e atinge diretamente a estrutura de poder do Estado iraniano. Esse tipo de ação sinaliza que o confronto não se limita mais a ataques indiretos ou operações de dissuasão, mas assume contornos de guerra declarada, ainda que sem pronunciamento formal.
A resposta do Irã veio por meio do lançamento de mísseis e drones contra posições associadas a Israel e bases americanas na região. Um desses projéteis foi interceptado sobre os Emirados Árabes Unidos, e seus estilhaços atingiram área urbana, causando morte e feridos. O fato é significativo por dois motivos: primeiro, porque leva o conflito para além do eixo Israel-Irã; segundo, porque insere diretamente países do Golfo na dinâmica da guerra, mesmo que não sejam protagonistas diretos do confronto.
As consequências imediatas desses acontecimentos incluem o fechamento de espaços aéreos, o aumento do estado de alerta em várias nações e a elevação do risco econômico global, sobretudo pela ameaça às rotas de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz. Politicamente, o mundo volta a se dividir em blocos: de um lado, uma coalizão formada por Estados Unidos, Israel e aliados regionais; do outro, o eixo liderado pelo Irã e seus grupos aliados. A instabilidade se amplia e o temor de uma guerra regional de grandes proporções passa a ser uma preocupação real.
Diante desse cenário, é natural que muitos cristãos se perguntem se esses acontecimentos possuem relação com as profecias bíblicas sobre os últimos tempos. Textos como Ezequiel 38 e 39, que mencionam a antiga Pérsia em um contexto de conflito contra Israel, voltam ao centro das reflexões escatológicas. No entanto, é preciso afirmar com responsabilidade: a Bíblia não foi escrita para gerar pânico, mas para fortalecer a esperança e a fé do povo de Deus.
A escatologia bíblica não ensina que os cristãos devem viver dominados pelo medo, mas pela confiança. Guerras, crises e rumores de conflitos fazem parte da história humana e foram anunciados por Jesus como características de um mundo marcado pelo pecado e pela rebelião. Contudo, o mesmo Cristo que falou sobre essas dores também declarou que Ele é o Senhor da história, aquele a quem foi dado todo poder no céu e na terra.
Portanto, interpretar os acontecimentos atuais como sinais dos tempos não deve conduzir ao desespero, mas à vigilância espiritual. O cristão não é chamado a se tornar um espectador apavorado das manchetes internacionais, mas um intercessor consciente do momento histórico em que vive. A resposta bíblica aos conflitos não é o sensacionalismo, mas a oração; não é o pânico, mas a confiança; não é a paralisia, mas a esperança.
A fé cristã afirma que nada foge ao controle de Jesus Cristo. Nenhum míssil lançado, nenhuma autoridade derrubada e nenhum império em conflito está fora do alcance da soberania divina. A história não caminha ao acaso; ela caminha para o cumprimento do propósito de Deus. Mesmo em meio ao caos das nações, permanece firme a promessa de que o Reino de Deus não pode ser abalado.
Diante dos acontecimentos dos últimos dias, a pergunta central não é se estamos mais próximos do fim, mas se estamos mais próximos de Deus. O momento exige uma Igreja que ore pela paz, que clame por misericórdia e que anuncie ao mundo que há um governo acima dos governos humanos: o governo de Cristo, Senhor absoluto de tudo e de todos.
Que, em vez do medo, prevaleça a fé. Em vez da ansiedade, a oração. Em vez do desespero, a esperança. Pois, ainda que as nações se agitem, Jesus continua reinando.