A reta final da janela partidária em Mato Grosso do Sul, que se encerra no próximo dia 4 de abril, escancarou um verdadeiro “mercado político” no Estado, com troca de partidos, disputas internas e uma reorganização profunda das forças na Assembleia Legislativa.
O principal vencedor desse movimento é o Partido Liberal (PL), que avança para se tornar a maior bancada estadual. A sigla, que antes tinha três deputados, deve saltar para sete parlamentares, consolidando-se como protagonista no cenário político local. O crescimento ocorre em meio à estratégia nacional da legenda de ampliar sua influência, mirando as eleições de 2026.
A expansão do PL acontece principalmente às custas do PSDB, que sofre uma debandada significativa. A legenda, que já liderou o Legislativo estadual, perde nomes importantes e tenta conter o desgaste para não desaparecer do mapa político. Mesmo assim, articulações de última hora garantiram sobrevida ao partido, que ainda deve manter a segunda maior bancada.
Outro destaque é o avanço do Republicanos, impulsionado pelo grupo governista liderado pelo governador Eduardo Riedel e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja. A sigla cresce tanto na Assembleia quanto na bancada federal, evidenciando o alinhamento político que sustenta o atual governo estadual.
Enquanto isso, o MDB aparece como um dos grandes prejudicados, perdendo espaço e ficando praticamente esvaziado na Assembleia. O movimento reforça a tendência de concentração de forças em blocos mais robustos, deixando partidos tradicionais à beira da irrelevância.
A janela partidária, mecanismo que permite a troca de sigla sem perda de mandato, tem sido decisiva para esse redesenho político, abrindo espaço para articulações estratégicas e reposicionamento de lideranças.
Nos bastidores, a disputa vai além das cadeiras na Assembleia. O cenário também reflete a corrida antecipada pelas eleições de 2026, que já movimenta pré-candidaturas ao governo, Senado e Câmara Federal. O governador Riedel aparece como favorito à reeleição, enquanto nomes como Fábio Trad e João Henrique Catan surgem como possíveis adversários.
No campo do Senado, a disputa também esquenta. O ex-governador Reinaldo Azambuja desponta como um dos principais nomes, em um cenário competitivo que inclui outras lideranças de peso.
A tensão dentro do PL evidencia o nível de disputa interna. O senador Flávio Bolsonaro precisou intervir para garantir que a escolha dos candidatos ao Senado em Mato Grosso do Sul seja feita por meio de pesquisas, após divergências envolvendo indicações diretas do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro movimento que chama atenção ocorre em Campo Grande, onde o vereador Marquinhos Trad articula sua saída do PDT para o Partido Verde, mirando uma vaga na Câmara Federal. A mudança, fora da janela permitida para vereadores, pode colocar seu mandato em risco, evidenciando o alto custo político das decisões eleitorais.
Além disso, o deputado Lídio Lopes assume o controle do Avante no Estado, em uma tentativa de fortalecer a sigla e criar uma alternativa viável para candidatos que enfrentam chapas consideradas “pesadas” em partidos maiores.
O cenário atual mostra que a política sul-mato-grossense entrou definitivamente em modo eleitoral. Com partidos se fortalecendo, outros encolhendo e lideranças reposicionando suas estratégias, a janela partidária não apenas reorganiza bancadas — ela antecipa o tom de uma disputa que promete ser acirrada e decisiva para o futuro político do Estado.