Saúde Chikungunya
MS reage ao avanço da chikungunya com força-tarefa e amplia estrutura de atendimento
Estado lidera incidência no país e aposta em leitos, vacinação e combate ao mosquito para frear alta de casos e mortes
30/03/2026 15h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

Diante do avanço acelerado da chikungunya, o Governo de Mato Grosso do Sul intensificou uma série de ações emergenciais para conter a doença, que já coloca o Estado como epicentro nacional da enfermidade. Com mais de 3 mil casos prováveis em 2026 e municípios em situação de epidemia, a resposta oficial envolve desde ampliação da rede hospitalar até estratégias de vacinação e combate direto ao mosquito transmissor.

A mobilização é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, que estruturou uma atuação integrada para enfrentar não apenas a chikungunya, mas também dengue e zika.

Estado amplia atendimento e abre leitos exclusivos

Uma das principais medidas foi o reforço da assistência em saúde, com a abertura de 15 leitos exclusivos em Dourados — cidade que concentra os casos mais graves. A estrutura é voltada principalmente para pacientes com sintomas moderados e graves, além da distribuição de medicamentos para tratamento clínico.

A pressão sobre o sistema de saúde aumentou com o crescimento das internações, principalmente em regiões com maior incidência da doença, como o sul do Estado.

Vacinação e estratégia nacional entram no radar

Outra frente importante é a articulação com o Ministério da Saúde para inclusão de Mato Grosso do Sul na estratégia piloto de vacinação contra a chikungunya. A medida foi solicitada diante do cenário crítico, especialmente em áreas indígenas.

Equipes já estão sendo preparadas para iniciar a imunização assim que as doses forem disponibilizadas.

Monitoramento diário e possível estado de emergência

Para acompanhar a evolução da doença, o governo implantou uma Sala de Situação com monitoramento diário dos casos e reuniões técnicas constantes. A estrutura pode evoluir para a ativação do Centro de Operações de Emergência (COE) em Dourados, caso o cenário se agrave.

Além disso, houve reforço no sistema de notificações e na investigação de óbitos, buscando respostas mais rápidas diante da escalada da doença.

Diagnóstico e laboratório fortalecidos

O diagnóstico também foi ampliado com apoio do Lacen (Laboratório Central), responsável pela confirmação dos casos. A agilidade na identificação da doença é considerada essencial para evitar agravamentos e controlar a disseminação.

Combate direto ao mosquito ganha reforço

No campo preventivo, o Estado intensificou o controle do mosquito Aedes aegypti com envio de equipamentos e atuação direta nos municípios.

As ações incluem:

Agentes de saúde atuam na identificação de criadouros e orientação da população, em uma tentativa de interromper a cadeia de transmissão.

Atenção redobrada em áreas indígenas

Os territórios indígenas, especialmente na região de Dourados, recebem atenção prioritária. Nessas áreas, o governo instalou estações de controle do mosquito, capacitou agentes locais e mantém presença contínua das equipes de saúde.

A estratégia busca adaptar o enfrentamento às especificidades das comunidades, onde a doença já provocou mortes, incluindo casos entre bebês.

Integração entre órgãos e resposta coordenada

A atuação envolve uma força-tarefa entre diferentes níveis de governo, com integração entre órgãos estaduais, federais e municipais. A coordenação inclui entidades como SESAI, DSEI e secretarias municipais de saúde.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, a resposta foi estruturada para atuar simultaneamente na assistência e na prevenção.

Cenário ainda preocupa autoridades

Apesar das medidas, o cenário segue preocupante. Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de incidência da doença e já registra mortes em diferentes faixas etárias, incluindo idosos e bebês.

Especialistas alertam que o período crítico ainda não terminou. Com altas temperaturas e chuvas, a tendência é de continuidade no aumento de casos nas próximas semanas.

Diante disso, o governo aposta na combinação de medidas emergenciais e prevenção para conter o avanço da chikungunya — uma corrida contra o tempo para evitar que a crise sanitária se agrave ainda mais no Estado.