A poucos dias do fim da janela partidária, o cenário político de Mato Grosso do Sul virou um verdadeiro tabuleiro em movimento. Trocas de partidos, alianças antes impensáveis e disputas internas expõem uma corrida intensa pelo poder, onde estratégia e sobrevivência política falam mais alto que antigos discursos.
O evento de filiação do Partido Liberal (PL) simbolizou bem esse novo momento. Pela primeira vez, nomes que estiveram em lados opostos nas eleições de 2022 apareceram juntos: Eduardo Riedel, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. O trio deve integrar a mesma coligação em outubro, com Riedel disputando o governo e Azambuja e Contar mirando o Senado.
A união, no entanto, está longe de ser espontânea. Contar, que resistiu à filiação, só aderiu ao PL após garantias de candidatura. O movimento foi acelerado após interferências nacionais, como a chamada “carta-bomba” ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que embaralhou o jogo ao citar outros nomes para o Senado, gerando tensão dentro do grupo.
A janela partidária, que se encerra no início de abril, provocou uma verdadeira corrida de última hora entre políticos. Muitos deixaram para mudar de sigla nos últimos dias, intensificando o chamado “troca-troca” partidário.
Nesse cenário, o PL saiu na frente ao atrair parlamentares de peso e ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa, chegando a sete cadeiras após filiações em bloco. O movimento reposiciona o partido como protagonista na disputa estadual.
Enquanto isso, o Republicanos emergiu como outro grande vencedor da janela. A legenda recebeu nomes estratégicos, como o vice-governador Barbosinha e o deputado federal Beto Pereira, além de deputados estaduais, fortalecendo sua estrutura e ampliando influência na base governista.
Com isso, o Republicanos passou de coadjuvante a peça-chave na montagem das chapas para 2026, com metas ambiciosas de eleger até cinco deputados estaduais e dois federais.
Se alguns partidos crescem, outros enfrentam um verdadeiro esvaziamento. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que já foi protagonista no Estado, vive uma debandada significativa de lideranças, perdendo deputados e espaço político.
A situação se reflete diretamente em nomes como Geraldo Resende, que encontra dificuldades para se reposicionar. Mesmo com forte votação anterior, o parlamentar enfrenta resistência de partidos que já possuem chapas fechadas e não querem abrir espaço para um candidato competitivo que possa “tomar vaga” de outros.
Republicanos, União Brasil e até partidos de esquerda já sinalizaram limitações ou resistência à entrada do deputado, evidenciando um cenário onde nem sempre o peso político garante espaço.
O resultado desse intenso troca-troca é uma completa reconfiguração das forças políticas no Estado. Partidos tradicionais perdem espaço, enquanto siglas mais alinhadas ao governo estadual ou com maior capacidade de articulação ganham protagonismo.
Além disso, a montagem das chapas majoritárias segue indefinida e sujeita a negociações até o último momento. No próprio PL, por exemplo, há disputa interna por vagas ao Senado, com múltiplos pré-candidatos no páreo.
Nos bastidores, a lógica é clara: menos ideologia e mais estratégia. A sobrevivência política, a viabilidade eleitoral e o acesso a recursos e alianças pesam mais do que antigas rivalidades.
O troca-troca partidário escancara uma realidade conhecida, mas cada vez mais evidente: partidos funcionam como instrumentos de ocasião, e não como projetos duradouros. A movimentação intensa reforça a percepção de que alianças são moldadas conforme conveniência eleitoral.
Para o eleitor, resta acompanhar um cenário em constante transformação, onde adversários viram aliados da noite para o dia e decisões são tomadas longe dos holofotes.
Com a janela partidária chegando ao fim, o desenho final das chapas começa a ganhar forma — mas a instabilidade política indica que novas reviravoltas ainda podem surgir até as urnas.