A reta final da janela partidária em Mato Grosso do Sul escancarou uma disputa feroz por espaço político, marcada por trocas de cadeiras, coligações tensionadas e acordos costurados sob pressão — um cenário que redesenha o tabuleiro eleitoral e deixa aliados em rota de colisão.
O epicentro da crise é o colapso do PSDB no Estado. A legenda, que já foi protagonista, perdeu toda a sua bancada federal após a saída de Dagoberto Nogueira para o PP, Beto Pereira para o Republicanos e, por fim, Geraldo Resende rumo ao União Brasil.
A debandada não apenas esvaziou o partido, mas desencadeou um efeito dominó nas demais siglas, forçando rearranjos emergenciais e criando uma disputa interna intensa por vagas competitivas.
A federação entre PP e União Brasil — apelidada nos bastidores de “chapa da morte” — virou o principal foco de tensão. A possível entrada de Geraldo Resende, imposta pelo diretório nacional do União Brasil, gerou revolta entre pré-candidatos já posicionados, especialmente no PP.
Mesmo com resistência local, a direção nacional interveio para garantir a filiação, apostando no potencial eleitoral de Resende para ampliar a bancada federal.
O problema é que a matemática eleitoral não fecha para todos: com nomes fortes como Dagoberto, Luiz Ovando, Rose Modesto e Roberto Hashioka, a chapa pode eleger até três deputados — mas ao custo de derrubar candidatos considerados competitivos.
Nos bastidores, o clima é de desconfiança e ameaça de debandada. A insatisfação já provocou efeitos imediatos, como o recuo de nomes que cogitavam entrar na disputa, evidenciando que a coligação pode ser tão poderosa quanto autodestrutiva.
Enquanto isso, o PSDB tenta reorganizar os cacos. Sem representantes na Câmara e com a bancada estadual reduzida pela metade, o partido aposta em uma estratégia mais enxuta, mantendo apenas três deputados estaduais e reforçando alianças locais.
A articulação liderada por Reinaldo Azambuja e Pedro Caravina busca evitar um colapso ainda maior, mas enfrenta resistência interna, especialmente de vereadores que temem perder espaço diante de chapas consideradas “pesadas”.
A entrada de novos nomes, como o ex-deputado Eduardo Rocha, longe de pacificar o ambiente, reacendeu a insatisfação — sinal de que a crise tucana ainda está longe de acabar.
Outro partido que sente o impacto das movimentações é o MDB. A sigla, que já dominou a política estadual, hoje enfrenta o risco de formar uma das menores bancadas de sua história recente.
Com a saída de deputados e a dificuldade de atrair novos nomes, o partido depende quase exclusivamente do capital eleitoral de André Puccinelli para garantir representação. Ainda assim, o objetivo de eleger três parlamentares parece cada vez mais distante.
Nos bastidores, cresce a percepção de que acordos firmados anteriormente — especialmente o apoio antecipado ao grupo governista — deixaram o MDB em segundo plano na divisão de espaços.
A movimentação intensa revela que a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul será definida muito antes das urnas. As negociações de última hora, imposições nacionais e disputas internas mostram que o jogo não é apenas contra adversários, mas dentro das próprias coligações.
Com chapas inchadas, egos inflados e espaço limitado, o cenário é de tensão máxima. Nos próximos dias, a definição de quem fica e quem sai deve provocar novos rachas — e, possivelmente, mudar completamente o desenho da eleição.
No fim, a corrida por cadeiras deixou de ser apenas uma estratégia eleitoral e se transformou em uma batalha política aberta, onde alianças são frágeis e acordos podem ruir a qualquer momento.