A política de Mato Grosso do Sul vive uma das fases mais turbulentas dos últimos anos. A reta final da janela partidária escancarou uma verdadeira guerra por espaço, com trocas de partidos, coligações pressionadas e articulações que redesenham completamente o cenário eleitoral para 2026.
No centro da crise está o PSDB, que tenta sobreviver após perder seus principais nomes na Câmara Federal. A saída de Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende desmontou a base do partido e obrigou a sigla a correr contra o tempo para montar uma nova chapa competitiva.
Como reação, o grupo governista articula novas filiações. A entrada da ex-secretária de Cidadania, Viviane Luiza, é uma das apostas para reconstruir a chapa tucana, justamente após ela deixar o PP em meio à forte concorrência interna da federação União Progressista.
Enquanto o PSDB tenta se reorganizar, o epicentro da crise política está na federação entre PP e União Brasil. A chamada “chapa da morte”, inflada com nomes de peso, acabou gerando efeito contrário: ao invés de fortalecer o grupo, provocou uma debandada de pré-candidatos.
A chegada de nomes como Dagoberto e Geraldo elevou o nível de competitividade interna a um ponto considerado inviável para muitos. O resultado foi a saída de figuras estratégicas, como Jaime Verruck e Roberto Hashioka, que migraram para o Republicanos em busca de melhores condições eleitorais.
Nos bastidores, a avaliação é clara: a federação tem potencial para eleger até três deputados federais, mas o excesso de candidatos fortes transforma a disputa interna em um verdadeiro “funil político”, onde poucos sobrevivem.
A crise no União Progressista abriu espaço para o avanço do Republicanos, que rapidamente se movimentou para atrair nomes insatisfeitos.
Com a chegada de Verruck e a possível filiação de outros candidatos competitivos, o partido monta uma chapa considerada equilibrada, com potencial de eleger até dois deputados federais — cenário visto como mais viável do que enfrentar uma disputa interna desigual.
A estratégia evidencia um movimento claro: enquanto alguns partidos incham suas chapas, outros apostam em equilíbrio para aumentar as chances reais de eleição.
Outro partido que enfrenta dificuldades é o MDB. A legenda, que já teve protagonismo no Estado, agora corre contra o tempo para montar uma chapa minimamente competitiva após perder nomes importantes.
O ex-governador André Puccinelli lidera as articulações e tenta atingir a meta de três cadeiras na Assembleia Legislativa, mesmo após a saída de figuras relevantes. A estratégia é apostar em uma chapa mais “igualitária”, sem grandes puxadores de voto, para distribuir melhor as chances entre os candidatos.
Ainda assim, o desafio é grande, e o partido tenta convencer lideranças tradicionais a entrar na disputa para evitar um encolhimento ainda maior.
Dentro da federação, o União Brasil tenta manter o foco estratégico. A presidente estadual Rose Modesto descartou qualquer mudança de rota e reafirmou sua candidatura à Câmara Federal, destacando que a prioridade do partido é formar uma bancada forte.
O posicionamento mostra que, apesar das turbulências, há um esforço para manter a unidade dentro do grupo governista, que segue alinhado ao projeto de reeleição do governador Eduardo Riedel.
O que se desenha em Mato Grosso do Sul é um cenário de intensa reacomodação política, onde alianças são revistas, partidos disputam nomes a todo momento e a montagem das chapas se tornou um jogo estratégico decisivo.
A “chapa da morte”, a implosão do PSDB e o crescimento de alternativas como o Republicanos mostram que a eleição de 2026 já começou — e será definida, em grande parte, nos bastidores.
Nos próximos dias, com o fim do prazo de filiações, a tendência é de novos movimentos, mais rupturas e, possivelmente, mudanças ainda mais profundas no tabuleiro político do Estado.