O cenário político de Mato Grosso do Sul vive uma reconfiguração profunda, marcada por disputas internas, mudanças partidárias e novas regras eleitorais que transformaram a corrida por vagas em um jogo imprevisível — e cada vez mais competitivo.
No centro desse tabuleiro está o governador Eduardo Riedel, que tenta manter a unidade da base governista enquanto vê crescer, dentro do próprio grupo, adversários diretos na disputa por cadeiras. Ao lado dele, o ex-governador Reinaldo Azambuja segue como articulador-chave nos bastidores.
A federação União Progressista (União Brasil + PP), que reúne nomes como Dagoberto Nogueira, Rose Modesto, Luiz Ovando e Geraldo Resende, ainda aparece como uma das mais fortes.
Mas o cenário mudou. O crescimento de partidos como Republicanos e PL dentro da própria base criou uma disputa interna direta, reduzindo a margem de segurança dos favoritos.
Com a nova regra eleitoral — que facilita o acesso às vagas mesmo sem atingir 80% do quociente — partidos menores ganham força e tornam a eleição ainda mais pulverizada.
A movimentação da senadora Soraya Thronicke é um dos principais fatores de mudança no cenário.
Após deixar o Podemos, ela se filiou ao PSB e assumiu o comando estadual do partido, reposicionando completamente a sigla no Estado . A mudança também aproxima a senadora de um projeto nacional alinhado ao governo federal e impacta diretamente as alianças locais.
Nos bastidores, o PSB vive divisão: parte dos filiados defende apoio ao governador Riedel, enquanto outra ala se aproxima do deputado federal Vander Loubet, que também se movimenta para o Senado.
O Pedro Caravina tenta reorganizar o PSDB após perdas significativas, mas enfrenta um racha interno.
De um lado está o ex-prefeito Ângelo Guerreiro, que resiste à pressão para deixar a legenda. Do outro, o grupo alinhado a Caravina, que tenta enxugar a chapa para aumentar as chances eleitorais.
A disputa se intensifica com a presença de Eduardo Rocha, ampliando a concorrência pelo mesmo eleitorado na região do Bolsão.
Além dos nomes tradicionais, novas peças entram no jogo:
Já nomes consolidados como Nelsinho Trad, Simone Tebet e Zeca do PT seguem influentes e podem pesar no resultado.
O maior sinal de mudança no cenário é claro: a disputa não é mais apenas entre governo e oposição.
Hoje, ela acontece dentro dos próprios grupos. Aliados competem entre si, dividem votos e disputam protagonismo. O resultado é uma eleição fragmentada, onde estratégia pode valer mais que força política isolada.
Com regras mais flexíveis, crescimento de novas siglas e conflitos internos, Mato Grosso do Sul caminha para uma eleição sem favoritos absolutos.
O “chapão da morte”, antes visto como imbatível, agora enfrenta concorrência direta — inclusive dentro de casa.
E no novo desenho político do Estado, uma certeza já se impõe:
quem errar na articulação pode pagar caro nas urnas.