A crise no Supremo Tribunal Federal atingiu um novo patamar — e agora não há mais como disfarçar. O desgaste, antes restrito à opinião pública, avançou com força sobre a própria base que sustenta o sistema de Justiça: os advogados.
Levantamento da OAB-SP escancara o tamanho da ruptura: 62,82% dos advogados avaliam negativamente a atuação do STF, sendo que quase metade classifica o desempenho como “muito negativo”.
O dado não é apenas estatístico — é político, institucional e explosivo.
O que torna o cenário ainda mais grave é a origem da crítica. Não se trata de oposição política ou insatisfação popular difusa. Trata-se da própria classe jurídica, historicamente mais cautelosa, agora rompendo o silêncio.
A mesma pesquisa revela que apenas cerca de 13% dos advogados ainda enxergam a atuação da Corte de forma positiva.
É um colapso de confiança.
O modelo atual do STF também entrou na mira. A ideia de ministros com mandato vitalício perde sustentação rapidamente: mais de 84% dos advogados defendem mandato fixo, com forte apoio a prazos entre oito e dez anos.
Na prática, o recado é claro: o sistema atual não convence mais nem quem opera dentro dele.
Até pouco tempo, decisões do Supremo eram blindadas sob o argumento de “defesa da democracia”. Esse discurso perdeu força.
Hoje, juristas falam abertamente em “crise inédita”, marcada por desgaste acumulado, decisões contestadas e uma percepção crescente de politização da Corte.
O próprio presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, já defendeu que suspeitas envolvendo ministros sejam investigadas, reforçando o clima de desconfiança institucional.
Especialistas apontam que dois pilares fundamentais foram abalados:
O resultado é direto: insegurança jurídica e perda de confiança no sistema.
O desgaste já ultrapassa o Judiciário e invade o campo político.
A crise do Supremo começa a ser tratada como tema central das próximas eleições, especialmente no Senado — responsável por julgar ministros da Corte.
A discussão sobre reforma do Judiciário, antes técnica, agora ganha tom popular e pressão pública.
O cenário atual indica algo ainda mais profundo: o STF deixou de ser apenas alvo de críticas e passou a ser visto como parte do problema.
A percepção de distanciamento da sociedade, somada à insatisfação da advocacia, cria um ambiente de pressão crescente — difícil de conter com discursos ou justificativas institucionais.
O diagnóstico é duro, mas cada vez mais repetido nos bastidores jurídicos e políticos:
a crise não é mais pontual — é estrutural.