A movimentação política em Mato Grosso do Sul ganha novos contornos após a divulgação de uma pesquisa recente que aponta mudanças importantes no cenário eleitoral e expõe, ao mesmo tempo, disputas intensas nos bastidores.
Levantamento realizado entre os dias 5 e 10 de abril de 2026, com 2 mil eleitores em 30 municípios, confirma o governador Eduardo Riedel (PP) na liderança da corrida pelo Governo do Estado, com 43% das intenções de voto. O número representa crescimento em relação aos cenários analisados em março, quando variava entre 40,2% e 42%.
Na segunda posição aparece Fábio Trad (PT), com 19,4%, também registrando leve avanço dentro da margem de erro. Já João Henrique Catan (Novo) apresenta o movimento mais brusco: caiu para 8%, praticamente metade do que havia alcançado anteriormente, quando chegou a superar os 16%.
Na sequência surgem nomes como Delcídio do Amaral (6,2%), Renato Gomes (3,2%), Jeferson Bezerra (1,4%) e Lucien Rezende (0,6%). Brancos e nulos somam 9%, enquanto 9,2% ainda não sabem em quem votar.
Apesar da liderança confortável, o cenário ainda é considerado em formação. A pesquisa foi realizada logo após o fechamento da janela partidária, período que costuma provocar mudanças significativas no tabuleiro político e nas estratégias dos partidos.
Nos bastidores, a avaliação é que Riedel consolida sua posição como principal nome da disputa, enquanto adversários tentam crescer em um ambiente ainda marcado por alto índice de indecisos.
Se a corrida pelo governo tem um líder claro, a disputa pelo Senado mostra um cenário completamente diferente: equilíbrio total entre os principais nomes.
Dados do mesmo levantamento indicam empate técnico entre Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho Trad, todos dentro da margem de erro, o que evidencia uma disputa aberta e altamente competitiva.
Além disso, o segundo voto — fator decisivo na eleição para o Senado — embaralha ainda mais o cenário e mantém todos os principais candidatos com chances reais.
Outro ponto que intensifica a movimentação política é a definição dos suplentes ao Senado. Tradicionalmente, essas vagas são estratégicas, envolvendo influência política, alianças e apoio financeiro de campanha.
Casos recentes mostram que escolhas equivocadas podem gerar conflitos internos, como já ocorreu em eleições anteriores no Estado, ampliando a cautela dos pré-candidatos neste momento.
Entre os nomes mais aguardados está o do ex-governador Reinaldo Azambuja, que ainda não definiu seus suplentes, mas já movimenta lideranças interessadas na vaga.
A recente passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) por Mato Grosso do Sul escancarou fissuras dentro de grupos políticos. A ausência de lideranças importantes em agendas do parlamentar gerou críticas entre aliados e levantou questionamentos sobre alianças consideradas “incoerentes” ideologicamente.
A federação entre partidos também virou alvo de insatisfação, especialmente entre setores mais ideológicos, que temem perder espaço para candidaturas consideradas mais moderadas ou alinhadas ao governo federal.
Em Campo Grande, a disputa política também ganha contornos jurídicos. A saída de um vereador de seu partido durante a janela partidária desencadeou uma briga pela cadeira na Câmara Municipal.
O suplente que reivindica a vaga acusa a legenda de omissão e fala em “traição”, enquanto o caso segue indefinido e pode parar na Justiça, ampliando o clima de instabilidade política.
Com pesquisas indicando tendências, mas ainda longe de definir o resultado final, Mato Grosso do Sul vive um momento de intensa articulação política.
Enquanto a liderança de Riedel se fortalece nas urnas, os bastidores mostram um cenário muito mais turbulento: disputas internas, alianças questionadas, brigas partidárias e uma corrida paralela pelo Senado que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.