O custo de vida em Mato Grosso do Sul segue em escalada e atinge diretamente o bolso da população. Dois dos principais gastos das famílias — energia elétrica e aluguel — registram aumentos expressivos em 2026, criando um cenário de pressão contínua sobre o orçamento.
Mesmo com a redução de última hora no índice de reajuste da tarifa de energia, o impacto segue elevado. O aumento médio, que seria de 12,61%, foi ajustado para cerca de 12,11%, após articulações técnicas envolvendo a concessionária e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ainda assim, o percentual permanece alto e acima da inflação, atingindo mais de 1,1 milhão de consumidores em todo o Estado.
Na prática, a redução não representa alívio real. Parte do reajuste foi apenas adiada por meio de um mecanismo regulatório, o que significa que o valor será cobrado futuramente, corrigido por juros.
Ao mesmo tempo, o custo da moradia também pesa cada vez mais. Em Campo Grande, o aluguel residencial subiu 9,12% apenas no primeiro trimestre de 2026, uma das maiores altas do país, superando inclusive a inflação no período.
Somente em março, o aumento foi de 4,64%, consolidando uma tendência de alta que já vinha sendo observada desde o início do ano.
O preço médio do metro quadrado chegou a R$ 30,75, com bairros registrando valorizações ainda mais expressivas, o que dificulta o acesso à moradia e pressiona ainda mais as famílias.
A combinação de energia mais cara com aluguel em alta cria um efeito direto e imediato no custo de vida. São despesas essenciais, que não podem ser cortadas, e acabam consumindo uma fatia cada vez maior da renda.
Além disso, o reajuste da energia segue uma tendência nacional de aumento acima da inflação, o que reduz ainda mais o poder de compra da população.
O cenário revela um problema estrutural: enquanto medidas pontuais tentam suavizar reajustes, o impacto real continua sendo acumulado mês após mês.
Com energia elétrica em alta e o aluguel avançando rapidamente, o sul-mato-grossense enfrenta uma realidade cada vez mais dura — pagar mais caro apenas para manter o básico.