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PL pressiona por vice, PP racha e PSDB tenta sobreviver: caos político escancara disputa feroz em MS para 2026
Pressão por vice, rachas partidários e crise de identidade expõem disputa acirrada e polarização em MS rumo a 2026
20/04/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Nos bastidores, a movimentação é intensa. O Partido Liberal iniciou pesquisas quantitativas e qualitativas para definir o melhor nome para vice, com o objetivo claro de ampliar votos e reduzir a rejeição do pré-candidato em uma eventual disputa nacional.

Entre os nomes testados estão, além de Tereza Cristina, o ex-governador Romeu Zema, e as deputadas Simone Marquetto e Clarissa Tércio — cada um representando estratégias eleitorais distintas, como alcance regional, apelo religioso ou penetração em eleitorados específicos.

“Vice dos sonhos” mesmo sem querer

Apesar de negar interesse, Tereza Cristina é tratada como prioridade dentro do PL. Durante agenda em Campo Grande, Flávio Bolsonaro chegou a classificá-la como “vice dos sonhos”, evidenciando o peso político da sul-mato-grossense no cenário nacional.

Ainda assim, a senadora mantém resistência. Nos bastidores, tem sinalizado que seu foco não é a vice-presidência, mas projetos próprios — incluindo o desejo de disputar espaços estratégicos no Congresso, como a presidência do Senado.

A insistência do PL, no entanto, revela mais do que admiração: trata-se de uma estratégia eleitoral. Há uma inclinação clara dentro do partido para escolher uma mulher como vice, numa tentativa de reduzir a rejeição junto ao eleitorado feminino e ampliar a competitividade da chapa.

Disputa nacional reflete no jogo regional

Enquanto o cenário presidencial esquenta, Mato Grosso do Sul vive seus próprios conflitos internos. A recente filiação do deputado Dagoberto Nogueira ao PP escancarou divergências ideológicas dentro do partido, com trocas públicas de críticas com o deputado Luiz Ovando.

O episódio evidenciou um problema maior: o desalinhamento entre discurso e prática dentro das siglas. Mesmo em partidos de centro-direita, parlamentares têm adotado posições consideradas mais próximas da esquerda, gerando desconforto e dificultando alianças.

Situação semelhante ocorre com o deputado Geraldo Resende, hoje no União Brasil, cuja atuação voltada à defesa do SUS e políticas públicas o coloca em rota de colisão com parte do eleitorado conservador.

Esse cenário expõe uma realidade cada vez mais comum: partidos fragilizados ideologicamente e políticos que transitam entre diferentes campos conforme conveniências eleitorais.

PSDB tenta sobreviver e fala em “terceira via”

No meio desse turbilhão, o PSDB em Mato Grosso do Sul tenta se reorganizar após perder espaço e lideranças. A avaliação interna é de que a forte polarização nacional tem esmagado partidos de centro.

A aposta agora é na construção de uma “terceira via” mais pragmática, focada em resultados e renovação política. Ainda assim, lideranças já projetam apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel, alinhando-se ao campo da centro-direita.

MS como peça-chave de 2026

O conjunto dessas movimentações mostra que Mato Grosso do Sul deixou de ser coadjuvante para se tornar peça estratégica no cenário nacional.

De um lado, a possível presença de Tereza Cristina em uma chapa presidencial coloca o estado no centro das decisões políticas do país. De outro, os conflitos internos e reposicionamentos partidários revelam um ambiente de disputa intensa, onde alianças são frágeis e o eleitorado cada vez mais decisivo.

Com pesquisas em andamento, pressões nos bastidores e lideranças em rota de colisão, o que está em jogo vai muito além de cargos: é a redefinição do equilíbrio político que pode influenciar diretamente o rumo das eleições de 2026.