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Kassab e Valdemar jogam pesado, ignoram disputa presidencial e travam guerra pelo controle bilionário do Congresso
Nos bastidores, líderes do PL e PSD deixam claro que a eleição presidencial é secundária e focam na construção de super bancadas para controlar bilhões em recursos e ditar o rumo do país
20/04/2026 15h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida presidencial de 2026 pode até dominar os holofotes, mas o verdadeiro jogo de poder no Brasil está sendo travado longe dos palanques. Nos bastidores, os presidentes de dois dos maiores partidos do país, Gilberto Kassab (PSD) e Valdemar Costa Neto (PL), protagonizam uma disputa silenciosa — e muito mais estratégica — pelo controle do Congresso Nacional.

Embora estejam alinhados à centro-direita e sustentem candidaturas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), os dois caciques políticos operam com objetivos que vão além da eleição presidencial. A prioridade é clara: ampliar bancadas, controlar fatias maiores do orçamento e dominar a agenda legislativa do país.

Congresso no centro do poder

A lógica é direta e pragmática. Em um sistema político fragmentado como o brasileiro, quem controla grandes blocos parlamentares decide o ritmo das reformas, negocia cargos e influencia diretamente a governabilidade. A eleição presidencial, nesse cenário, torna-se apenas uma peça de um tabuleiro muito maior.

Valdemar Costa Neto deixa isso explícito ao defender que eleger o presidente é importante, mas essencial mesmo é garantir força suficiente no Congresso para influenciar inclusive a escolha do comando do Legislativo. Já Kassab adota uma estratégia mais flexível, mirando a construção de um partido capaz de dialogar com diferentes governos e manter influência independentemente de quem vença.

Disputa aberta entre gigantes

A disputa entre PL e PSD já é visível. Enquanto o partido de Bolsonaro cresce impulsionado pela força do eleitorado conservador, o PSD aposta na capilaridade regional e na capacidade de transitar entre diferentes campos ideológicos.

Essa rivalidade tem provocado choques diretos nos estados e dificultado alianças, evidenciando que a direita e o centro não caminham de forma unificada rumo a 2026.

Poder acima das urnas

O movimento recente da janela partidária, com dezenas de trocas de deputados, escancarou essa estratégia: menos ideologia, mais cálculo político. O objetivo é atrair nomes com votos, fortalecer bancadas e garantir acesso a recursos bilionários dos fundos partidário e eleitoral.

Na prática, quanto maior o número de parlamentares eleitos, maior o poder de barganha — seja para ocupar ministérios, influenciar políticas públicas ou travar projetos de interesse nacional.

Eleitor fora do jogo real

Especialistas apontam que esse jogo de bastidores passa despercebido pela maioria da população. Enquanto o debate público se concentra na polarização entre candidatos à Presidência, as decisões que realmente moldam o país estão sendo construídas na formação do Congresso.

Kassab e Valdemar, mesmo com estilos diferentes, convergem nesse ponto: fortalecer suas máquinas partidárias para comandar o sistema político de dentro para fora.

O verdadeiro duelo de 2026

Diante desse cenário, a eleição de 2026 promete ir muito além da disputa entre nomes para o Palácio do Planalto. O que está em jogo é quem terá força suficiente para controlar o Congresso — e, consequentemente, o destino político e econômico do Brasil.

No fim das contas, a guerra pelo poder não será decidida apenas nas urnas para presidente, mas principalmente na composição do Legislativo. É ali, longe dos discursos e promessas, que o país realmente será governado.