Política Eleições
Novo entra no jogo e expõe rachaduras: disputa pelo Senado em MS vira campo de batalha político
Pré-candidatura de Roberto Oshiro, guerra interna no PL e escândalos recentes elevam tensão às vésperas das eleições
27/04/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A movimentação política em Mato Grosso do Sul ganhou novos contornos e elevou o tom das disputas com a confirmação do advogado e empresário Roberto Oshiro como pré-candidato ao Senado pelo Partido Novo. O cenário, que já era fragmentado, agora se transforma em um verdadeiro campo de disputa entre grupos políticos, alianças instáveis e crises que atingem diferentes esferas do poder.

A entrada de Oshiro reforça o projeto do Novo de ampliar sua presença no Estado. Segundo o presidente da sigla, Guto Scarpanti, o partido pretende lançar dois nomes ao Senado, aproveitando o fato de que duas vagas estarão em disputa nas eleições deste ano. A estratégia inclui fortalecer candidaturas próprias após tentativas frustradas de atrair nomes como o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.

Além do Senado, o Novo também aposta no deputado estadual João Henrique Catan como pré-candidato ao Governo do Estado, consolidando uma postura de oposição ao atual grupo político liderado pelo governador Eduardo Riedel.

Assembleia bagunçada e blocos redesenhados

A recente janela partidária provocou uma reconfiguração profunda na Assembleia Legislativa. Mais da metade dos deputados estaduais mudou de partido, resultando em blocos políticos formados mais por conveniência do que por afinidade ideológica.

Dois blocos principais passaram a dominar a Casa: um com 12 parlamentares, liderado por Coronel David (PL), e outro com oito deputados, sob comando de Jamilson Name (PP). Já os parlamentares de oposição ficaram isolados e dependem de articulações para participar das comissões, o que evidencia o desequilíbrio interno e a fragilidade das alianças.

PL em crise: guerra interna e rebeldia exposta

Se o Novo tenta crescer, o Partido Liberal vive um momento de turbulência. A disputa interna por uma das vagas ao Senado virou uma verdadeira “guerra de foice”, envolvendo o deputado federal Marcos Pollon e o grupo ligado ao ex-deputado Capitão Contar.

Pollon, inclusive, elevou a tensão ao aparecer ao lado de integrantes do Novo no interior do Estado, sinalizando aproximação com um grupo que faz oposição direta ao governo — e, teoricamente, ao próprio campo político do PL. O movimento foi interpretado como um desafio à estrutura partidária e à liderança local.

O cenário se agrava com denúncias envolvendo a campanha de Contar, incluindo um contrato de R$ 150 mil mensais com recursos do fundo partidário destinado à agência de publicidade da própria esposa, o que ampliou o desgaste interno e externo da legenda.

Escândalos e investigações aumentam pressão

Paralelamente à disputa eleitoral, uma série de escândalos tem contaminado o ambiente político no Estado. A Operação “OncoJuris”, conduzida por forças como o Dracco e a Receita Federal, revelou um esquema milionário de desvio de recursos públicos destinados à compra de medicamentos para pacientes com câncer.

As investigações apontam que o grupo utilizava decisões judiciais para liberar verbas e desviar recursos, atingindo diretamente uma das áreas mais sensíveis da administração pública.

No campo municipal, prefeitos também entraram na mira da Justiça. Em Ivinhema, o prefeito Juliano Ferro pode ser multado por descumprimento de decisão judicial, enquanto em Figueirão há denúncia de possível superfaturamento de R$ 8,4 milhões na compra de um terreno público.

Outro episódio que chamou atenção foi o caso do prefeito de Porto Murtinho, cujo avião foi flagrado realizando manobras consideradas perigosas próximas à ponte da Rota Bioceânica, gerando investigação.

Eleição imprevisível e marcada por tensão

Com pesquisas indicando um cenário competitivo tanto para o Governo quanto para o Senado, a eleição em Mato Grosso do Sul tende a ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Levantamentos recentes mostram nomes tradicionais dividindo espaço com novos atores políticos, enquanto uma parcela significativa do eleitorado ainda se mantém indecisa.

Entre alianças frágeis, disputas internas e escândalos em série, o cenário político sul-mato-grossense entra em uma fase decisiva. A corrida eleitoral não será apenas uma disputa por votos, mas também um teste de força entre grupos, lideranças e estruturas partidárias que tentam sobreviver em meio a crises e reconfigurações constantes.