Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais críticos no combate à chikungunya e aguarda, com urgência, o envio de novas doses de vacina pelo Governo Federal. O alerta foi feito nesta segunda-feira (27) pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, que reconheceu a dependência direta do Ministério da Saúde para ampliar a imunização no Estado.
Segundo o secretário, cidades como Itaporã e Dourados já iniciaram a vacinação, mas a continuidade da estratégia depende da chegada de novos lotes. “As vacinas estão sendo fornecidas pelo Ministério da Saúde. Então, depende do ministério nos oferecer mais doses”, afirmou durante evento em Campo Grande.
Apesar do avanço da doença, Simões adota um tom cautelosamente otimista. Ele avalia que o crescimento acelerado pode estar desacelerando, embora o Estado ainda esteja no pico da epidemia. “Acho que o pior já passou em termos de curva crescente, mas os cuidados continuam”, declarou.
Os números, no entanto, revelam um cenário alarmante. Em menos de quatro meses, Mato Grosso do Sul já soma cerca de 7,5 mil casos de chikungunya, entre confirmados e suspeitos — mais da metade de todo o volume registrado ao longo de 2025.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde indicam que o Estado contabiliza 7.599 casos prováveis, sendo 3.490 confirmados, além de 13 mortes apenas em 2026.
O avanço é tão expressivo que já supera, em poucos meses, praticamente toda a soma de casos registrada ao longo de uma década anterior, evidenciando a força da epidemia no território sul-mato-grossense.
Mato Grosso do Sul não apenas enfrenta uma crise local, mas também lidera o ranking nacional da chikungunya. A incidência da doença no Estado ultrapassa em mais de 17 vezes a média brasileira, consolidando a região como epicentro da doença no país.
Além disso, o Estado concentra a maior parte das mortes registradas no Brasil em 2026. Dos 19 óbitos confirmados nacionalmente, 13 ocorreram em território sul-mato-grossense, o que representa mais de 60% do total.
A maioria das vítimas pertence a grupos de risco, como idosos, mas também há registros preocupantes fora desse perfil, incluindo um homem sem comorbidades e até bebês.
Diante do cenário, Mato Grosso do Sul foi incluído em uma estratégia piloto nacional para aplicação da vacina contra chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante já começou a ser distribuído em regiões prioritárias, especialmente em áreas com maior incidência da doença.
Para ampliar a cobertura, o Estado aposta nos chamados “Vacimóveis”, unidades móveis que percorrem cidades e regiões estratégicas para facilitar o acesso à vacinação. A iniciativa faz parte do programa MS Vacina Mais, que busca acelerar a imunização e conter o avanço da doença.
As unidades estão sendo direcionadas para municípios do interior e também para Campo Grande, com estrutura completa para armazenamento e aplicação das doses.
Mesmo com ações emergenciais e reforço na estrutura de atendimento, autoridades de saúde alertam que o cenário ainda é delicado. A doença já atingiu a maioria dos municípios do Estado e continua pressionando o sistema público.
A combinação de alta incidência, aumento de mortes e dependência de novas vacinas coloca Mato Grosso do Sul em estado de alerta. A evolução da epidemia, agora, dependerá diretamente da velocidade da vacinação e da manutenção das medidas de prevenção pela população.