A Câmara Municipal de Campo Grande viveu uma das sessões mais tensas do ano, marcada por protestos, bate-boca entre vereadores e votação de projetos que dividem opiniões dentro e fora do plenário. Ao mesmo tempo, os parlamentares avançaram em pautas sociais e iniciaram a análise do orçamento bilionário da Capital, mostrando um cenário de forte embate político aliado a decisões estratégicas para o município.
O destaque da sessão foi a aprovação do Projeto de Lei 11.789/25, que cria o “Abril Verde e Amarelo”, voltado à conscientização sobre a defesa da propriedade privada. A proposta prevê campanhas educativas, debates e parcerias com a sociedade civil, e surge como contraponto ao chamado “Abril Vermelho”, ligado a movimentos de reforma agrária .
A votação foi apertada e ocorreu sob forte pressão popular. Manifestantes contrários ocuparam o plenário com gritos e cartazes, criticando tanto o projeto quanto outras pautas em discussão, como a lei que proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos na Capital .
O clima ficou tão tenso que a sessão chegou a ser suspensa após o presidente da Casa tentar conter os ânimos diante das vaias constantes e interrupções.
O ambiente no plenário rapidamente se transformou em palco de confronto político. Vereadores favoráveis aos projetos defenderam medidas como proteção à propriedade e à privacidade, enquanto parlamentares da oposição criticaram o que classificaram como retrocessos sociais.
As discussões foram marcadas por acusações, respostas duras e troca de críticas entre os próprios vereadores, refletindo a polarização crescente também no cenário municipal.
Apesar do clima conturbado, a Câmara também aprovou propostas de impacto social. Entre elas, o reconhecimento da Associação Mãezinhas do Coração como entidade de utilidade pública, destacando o trabalho de apoio a famílias com recém-nascidos em situação de vulnerabilidade.
Outra medida aprovada foi a alteração na entrega da Medalha Legislativa “Deputado Estadual Cabo Almi”, garantindo mais flexibilidade para homenagens no município.
Além das polêmicas, os vereadores deram início à análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que prevê receita de aproximadamente R$ 7,2 bilhões para Campo Grande em 2027, com crescimento gradual nos anos seguintes.
O projeto define as prioridades da administração municipal e abre espaço para emendas parlamentares, incluindo investimentos obrigatórios em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
A sessão evidenciou um cenário cada vez mais pressionado pela participação popular. O plenário lotado, as manifestações e o clima de confronto mostram que decisões do Legislativo municipal têm provocado forte reação da sociedade.
Entre projetos polêmicos, avanços sociais e discussões orçamentárias, a Câmara de Campo Grande segue no centro do debate político, com sessões que refletem não apenas decisões administrativas, mas também disputas ideológicas que ganham força na cidade.