Política Eleições
Eleições de 2026 acirram disputas internas, racham alianças e embaralham cenário político em Mato Grosso do Sul
Brigas no PL, articulações partidárias, pesquisas eleitorais e divisão de palanques expõem clima de tensão e ampliam incertezas na corrida pelo Governo, Senado e Presidência
11/05/2026 13h04
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral de 2026 começou a provocar um verdadeiro terremoto político em Mato Grosso do Sul. Disputas internas, alianças frágeis, conflitos entre lideranças e indefinições partidárias já movimentam os bastidores e revelam um cenário cada vez mais fragmentado entre direita, centro e esquerda no Estado.

O epicentro da turbulência está no Partido Liberal (PL), onde a disputa pelo Senado abriu uma crise interna envolvendo o deputado federal Marcos Pollon, o ex-deputado Capitão Contar e até integrantes da família Bolsonaro.

Pollon tenta viabilizar sua candidatura ao Senado, mas enfrenta resistência dentro do próprio grupo. O parlamentar também passou a conviver com outro problema político: a pré-candidatura de Naiane Bitencourt à Câmara Federal, nome apoiado diretamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Nos bastidores, o distanciamento entre Pollon e Naiane já é tratado como sinal de desgaste político e pessoal. O impasse ganhou ainda mais peso porque Pollon mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, criando um ambiente de disputa indireta dentro do próprio núcleo bolsonarista.

O cenário se agravou após a visita de Flávio Bolsonaro a Mato Grosso do Sul. Durante agendas políticas, Flávio reforçou o nome do ex-governador Reinaldo Azambuja como principal aposta do grupo para o Senado e afirmou que a segunda vaga dependerá das pesquisas eleitorais.

Os números divulgados pelo Instituto Ranking enfraquecem Pollon na disputa. Reinaldo aparece liderando os cenários ao Senado, seguido por Capitão Contar e pelo senador Nelsinho Trad. Pollon surge distante dos líderes e ainda enfrenta índice elevado de rejeição entre os eleitores.

Enquanto o PL tenta evitar um racha interno, outros partidos também enfrentam dificuldades para organizar seus palanques. O deputado estadual João Henrique Catan, aliado histórico de Jair Bolsonaro, terá de apoiar a candidatura presidencial de Romeu Zema, pré-candidato do Novo ao Planalto.

Situação semelhante vive Nelsinho Trad, que precisará defender o projeto presidencial de Ronaldo Caiado pelo PSD, mesmo diante do crescimento da direita bolsonarista no Estado.

Já o deputado estadual Lídio Lopes deverá acompanhar o Avante no apoio ao escritor Augusto Cury.

No grupo governista, o governador Eduardo Riedel deve subir no palanque de Flávio Bolsonaro, consolidando a aproximação entre o PP e o PL em Mato Grosso do Sul. Já os pré-candidatos Fábio Trad e Lucien Rezende devem fazer campanha para Luiz Inácio Lula da Silva.

As pesquisas também mostram um eleitorado dividido e marcado pela rejeição. No levantamento do Instituto Ranking, Lula aparece liderando entre os presidenciáveis citados em Mato Grosso do Sul, seguido por Flávio Bolsonaro. Na disputa pelo Governo do Estado, nomes como Delcídio do Amaral, Fábio Trad e Lucien Rezende registram índices elevados de rejeição.

Delcídio, inclusive, voltou ao debate político defendendo mudanças estruturais no sistema eleitoral brasileiro. O ex-senador criticou a concentração de recursos nos grandes partidos, defendeu o parlamentarismo e o fim da reeleição, além de prever um cenário de segundo turno tanto no Estado quanto na disputa presidencial.

Com alianças instáveis, disputas internas e pesquisas ainda indefinidas, Mato Grosso do Sul começa a desenhar uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos anos. O ambiente político já evidencia que a batalha de 2026 não será marcada apenas pelo confronto entre direita e esquerda, mas também por guerras internas dentro dos próprios grupos políticos.