O avanço constante dos preços dos alimentos voltou a atingir em cheio o bolso dos moradores de Campo Grande e tem provocado preocupação crescente entre famílias que já não conseguem equilibrar as contas no fim do mês.
Dados divulgados pelo Dieese mostram que a cesta básica na Capital subiu 2,60% em abril e passou a custar R$ 826,89 — quase R$ 21 a mais em comparação com março. O aumento reforça a sensação de sufoco enfrentada diariamente por trabalhadores que veem o salário perder poder de compra diante da disparada dos preços nos supermercados.
O impacto é ainda mais pesado para quem depende do salário mínimo. Segundo o levantamento, a cesta básica já consome mais da metade da renda líquida do trabalhador em Campo Grande, cenário que tem obrigado muitas famílias a cortar produtos, reduzir refeições e trocar itens essenciais por alternativas mais baratas.
Entre os 13 produtos que compõem a cesta básica, dez registraram aumento em abril. A maior alta foi da batata, que disparou 19,57%. O tomate subiu 11,89% e o leite integral teve aumento de 8,78%.
Também ficaram mais caros itens básicos do dia a dia, como óleo de soja, arroz, feijão carioca, pão francês, manteiga, café em pó e carne bovina de primeira.
Na prática, produtos que antes eram considerados indispensáveis começam a pesar cada vez mais no orçamento doméstico, principalmente nas famílias de baixa renda.
A pressão sobre os preços da comida acompanha o avanço da inflação nacional. Dados divulgados pelo IBGE apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril.
O grupo alimentação e bebidas foi justamente o que mais pressionou o índice, com alta de 1,34%, seguido pelos gastos com saúde e cuidados pessoais, que aumentaram 1,16%.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,39%, muito próxima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Nos bairros da Capital, a sensação é de que o dinheiro desaparece antes do fim do mês. A ida ao supermercado se tornou motivo de preocupação constante para milhares de famílias.
Em redes sociais e fóruns de discussão, consumidores relatam choque com os valores cobrados por produtos básicos e afirmam que o carrinho de compras diminui a cada mês.
Enquanto isso, o trabalhador continua enfrentando o mesmo dilema: pagar contas básicas ou garantir alimentação completa dentro de casa.
Especialistas apontam que, mesmo com reajustes no salário mínimo, o aumento sucessivo dos alimentos reduz o poder de compra da população.
O próprio Dieese já alertou em levantamentos anteriores que o custo da alimentação tem crescido acima da capacidade de consumo de muitas famílias brasileiras, aprofundando a sensação de perda de renda e insegurança alimentar.
Em Campo Grande, o cenário reforça uma realidade cada vez mais visível: para parte da população, colocar comida na mesa voltou a ser um desafio diário.