Com a popularidade em queda livre e a rejeição atingindo o pior patamar do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nas últimas semanas uma verdadeira ofensiva de anúncios econômicos numa tentativa clara de conter o desgaste político que se espalhou pelo país.
O problema para o Palácio do Planalto é que, mesmo despejando cerca de R$ 144 bilhões em medidas econômicas, subsídios, crédito facilitado, renegociação de dívidas e benefícios, a população continua demonstrando forte insatisfação com o governo.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril mostrou um cenário alarmante para Lula: 52% de desaprovação contra apenas 43% de aprovação — o pior índice desde o início do mandato.
A reação do governo veio em ritmo frenético. Nas últimas semanas, Lula passou a anunciar sucessivos pacotes econômicos, numa estratégia vista por adversários e até por setores do mercado como uma tentativa desesperada de recuperar apoio popular antes que o desgaste se torne irreversível.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que o Planalto percebeu tarde demais o tamanho da revolta popular causada pelo aumento do custo de vida, pela inflação dos alimentos e principalmente pela sequência de impostos e taxações aprovadas desde 2023.
O maior símbolo desse desgaste foi justamente a chamada “taxa das blusinhas”, criada pelo governo Lula sob comando do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na época, o governo defendeu a taxação sobre compras internacionais alegando proteção ao comércio nacional. O resultado, porém, foi uma explosão de críticas nas redes sociais, principalmente entre consumidores mais pobres, que utilizavam plataformas internacionais para comprar produtos mais baratos.
Agora, diante da queda brutal de popularidade, o mesmo governo decidiu revogar a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, numa mudança vista por opositores como tentativa de apagar um desgaste criado pelo próprio Planalto.
A contradição ficou evidente: primeiro o governo cria o imposto, depois tenta aparecer como solução ao anunciar sua retirada.
Nos bastidores, integrantes do PT admitem que a medida virou um desastre político. Fernando Haddad passou meses sendo atacado nas redes sociais e associado diretamente ao aumento da carga tributária sobre a população.
Além da revogação da taxa das blusinhas, o governo também passou a anunciar novos subsídios para combustíveis após a Petrobras sinalizar reajuste na gasolina.
Mesmo depois de o governo já ter concedido bilhões em subvenções ao diesel nos últimos meses, o Planalto agora discute novas medidas emergenciais para tentar conter os impactos da alta dos combustíveis no bolso dos brasileiros.
O movimento ocorre justamente quando Lula enfrenta crescente pressão eleitoral diante do avanço da oposição nas pesquisas.
Nos bastidores, o crescimento do senador Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral aumentou ainda mais o clima de preocupação dentro do governo.
Economistas avaliam que o problema do Planalto vai além dos anúncios econômicos. A população, segundo especialistas, já não reage mais da mesma forma a programas assistenciais e benefícios pontuais.
Hoje, grande parte dos brasileiros quer estabilidade, oportunidade de crescimento, melhora real da renda e capacidade de ascensão social — algo que muitos afirmam não enxergar no atual cenário econômico.
Mesmo com números macroeconômicos positivos em alguns setores, a realidade enfrentada pela população continua sendo de alimentos caros, empregos de baixa remuneração e perda de poder de compra.
Dados recentes mostram que a maior parte das vagas criadas continua concentrada em faixas salariais de até dois salários mínimos, enquanto empregos intermediários seguem escassos.
Outro fator que preocupa o governo é a mudança no perfil do trabalhador brasileiro. Muitos profissionais de aplicativos e trabalhadores informais passaram a defender independência financeira e flexibilidade, rejeitando modelos defendidos pelo governo ligados ao aumento da intervenção estatal nas relações de trabalho.
A consequência é um cenário cada vez mais difícil para Lula: mesmo anunciando pacotes bilionários, benefícios emergenciais e recuos em impostos criados pelo próprio governo, o Planalto ainda encontra dificuldade para convencer a população de que a situação econômica realmente melhorou.
Nos bastidores políticos, cresce a avaliação de que os brasileiros já não se impressionam apenas com anúncios. A cobrança agora é por resultados concretos no supermercado, no combustível, no emprego e no custo de vida — justamente os pontos que mais desgastaram o governo nos últimos meses.