Mato Grosso do Sul entrou de vez no radar da política nacional e passou a ocupar posição estratégica no tabuleiro das eleições de 2026. Enquanto a senadora Tereza Cristina ganha força nos bastidores da direita como possível nome para disputar a Presidência da República, a ministra Simone Tebet trava uma disputa interna pelo Senado em São Paulo com respaldo direto do presidente Lula. Paralelamente, o governador Eduardo Riedel mantém vantagem confortável nas pesquisas e tenta adiar ao máximo o debate eleitoral no Estado.
O cenário político mudou de intensidade nos últimos dias após o vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. A crise abriu uma nova disputa dentro da direita e fez crescer a pressão para que Tereza Cristina deixe de ser apenas cotada para vice e passe a ser considerada cabeça de chapa presidencial. Nos bastidores, setores do centrão e aliados do bolsonarismo passaram a defender uma composição com Tereza na presidência e Michelle Bolsonaro como vice.
Mesmo negando interesse em disputar a Presidência e reafirmando que seu foco seria a presidência do Senado, Tereza continua sendo apontada como uma das lideranças mais fortes da direita nacional. A senadora ampliou influência após consolidar o controle da federação entre PP e União Brasil em Mato Grosso do Sul, além de fortalecer sua proximidade política com Eduardo Riedel.
A força política da parlamentar sul-mato-grossense também é atribuída ao protagonismo conquistado junto ao agronegócio nacional. Tereza mantém forte influência na Frente Parlamentar da Agropecuária e continua liderando pautas estratégicas ligadas ao setor produtivo.
Do outro lado do espectro político, Simone Tebet também vive intensa movimentação eleitoral. A ministra trocou o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e passou a ser tratada como peça importante da estratégia do presidente Lula para conter o avanço da direita no Senado Federal.
Apesar de ser constantemente lembrada para compor uma eventual chapa presidencial ao lado de Fernando Haddad, Simone já sinalizou que pretende disputar o Senado ou ficar fora da eleição. Nos bastidores, a ministra trava disputa interna dentro do próprio grupo governista com Marina Silva e Márcio França, que também desejam a vaga ao Senado por São Paulo.
Enquanto isso, em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel segue consolidando um cenário eleitoral amplamente favorável. Levantamentos divulgados pelos institutos Real Time Big Data, Ranking e IPR mostram o governador liderando com índices entre 43% e 47% das intenções de voto, com possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.
Os números praticamente repetem o mesmo desenho nos diferentes levantamentos. Em segundo lugar aparece o ex-deputado federal Fábio Trad, oscilando entre 19% e 21%, seguido pelo deputado estadual João Henrique Catan, que varia entre 9% e 11%.
Nos bastidores, aliados de Riedel avaliam que a estratégia de evitar confronto político direto e priorizar agendas administrativas tem ajudado o governador a preservar estabilidade eleitoral mesmo diante da antecipação do debate político nas redes sociais.
O avanço das articulações nacionais também impacta diretamente os partidos em Mato Grosso do Sul. O Novo, por exemplo, decidiu endurecer o discurso após o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro. O presidente estadual da legenda, Guto Scarpanti, afirmou que o partido apoia o aprofundamento das investigações e elogiou o posicionamento crítico de Romeu Zema contra o senador do PL.
Segundo Scarpanti, o episódio pode inviabilizar qualquer composição futura entre Zema e Flávio Bolsonaro. A avaliação interna é de que o Novo tenta ocupar um espaço político distante tanto do lulismo quanto do bolsonarismo tradicional.
Com Tereza Cristina fortalecida na direita, Simone Tebet consolidada como peça estratégica do governo Lula e Riedel mantendo ampla vantagem regional, Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas um coadjuvante eleitoral e passou a ocupar posição central nas articulações nacionais para 2026.