Política Eleições
Michelle desafia cúpula do PL e acirra guerra pelo Senado enquanto PT tenta ampliar alianças em MS
Disputa entre Pollon, Contar e Reinaldo expõe divisão no bolsonarismo, enquanto PT articula frente com Podemos e PDT e recontagem de votos ameaça mudar forças na Assembleia
18/05/2026 13h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul começou a ganhar contornos de guerra política antecipada, com disputas internas, articulações de bastidores e uma verdadeira reorganização das forças partidárias no Estado. O cenário mais explosivo neste momento está dentro do PL, onde a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro resolveu enfrentar a própria cúpula da legenda para sustentar o nome do deputado federal Marcos Pollon como candidato ao Senado.

Mesmo após lideranças como Reinaldo Azambuja, Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro defenderem que a escolha do segundo nome ao Senado seja feita por pesquisas, Michelle voltou a incendiar o debate ao publicar levantamento em que Pollon aparece bem posicionado e classificá-lo como “o candidato do galego”, em referência a Jair Bolsonaro.

A movimentação foi interpretada nos bastidores como um recado direto de que Michelle não pretende aceitar facilmente a tese defendida pela direção nacional do partido. O embate ganhou ainda mais peso porque Pollon enfrenta resistência interna de nomes influentes do PL e também do ex-deputado Capitão Contar, que aparece à frente dele em parte das pesquisas divulgadas até agora.

O conflito escancarou o racha dentro do bolsonarismo sul-mato-grossense. Antes da interferência de Michelle, Valdemar já havia dado sinais de que os escolhidos do PL seriam Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. Após a divulgação da carta de Bolsonaro em apoio a Pollon, o discurso mudou e a direção passou a falar em definição por pesquisas.

Enquanto o PL vive turbulência interna, o PT tenta ampliar seu campo político em Mato Grosso do Sul mirando uma frente ampla para fortalecer o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. Durante agenda em Campo Grande, o deputado federal Vander Loubet confirmou articulações para atrair PDT, Podemos, PSOL, PV e Rede para a aliança petista.

A principal peça desse movimento é a senadora Soraya Thronicke, que após romper politicamente com o bolsonarismo passou a atuar ao lado do PT. Ela revelou que já existe alinhamento com a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, para liberar integrantes do partido a apoiar a composição estadual. O objetivo é formar uma dobradinha ao Senado entre Soraya e Vander Loubet.

“Tem muita gente em todos os partidos, inclusive no PL, que vai votar na chapa do PT”, afirmou Soraya ao defender a ampliação da base governista em Mato Grosso do Sul.

Nos bastidores, a movimentação é vista como uma tentativa do PT de aproveitar o desgaste e a fragmentação do campo conservador no Estado para ampliar espaço político em 2026.

Paralelamente à disputa eleitoral, outra movimentação promete alterar diretamente o equilíbrio de forças na Assembleia Legislativa. A decisão da Justiça Eleitoral de determinar a retotalização dos votos do ex-deputado federal Loester Trutis e da ex-esposa Raquelle Trutis, condenados por irregularidades na campanha de 2022, deve provocar mudanças na composição da Alems.

Com a retirada dos votos de Raquelle, o PL pode perder uma cadeira no parlamento estadual. A vaga tende a migrar para o PSDB, beneficiando o suplente João César Matto Grosso. A mudança também aumenta a pressão sobre o deputado Neno Razuk, que pode perder o mandato em meio às investigações relacionadas à Operação Sucessione.

O presidente estadual do PSDB, Pedro Caravina, já admite nos bastidores que o partido trabalha com a expectativa de conquistar a quarta cadeira na Assembleia após a recontagem.

Com o PL rachado, o PT tentando ampliar alianças e a Assembleia podendo sofrer mudanças por decisões judiciais, o xadrez político de Mato Grosso do Sul entra em uma fase de intensa instabilidade, antecipando uma disputa eleitoral que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.