Pressionado pela queda de popularidade, derrotas humilhantes no Senado e uma relação cada vez mais desgastada com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em modo de campanha antecipada e passou a lançar uma sequência acelerada de medidas econômicas numa tentativa clara de frear a rejeição e reconstruir sua imagem para 2026.
Nas últimas semanas, o governo colocou em prática uma série de ações de forte apelo popular: revogou a chamada “taxa das blusinhas”, ampliou programas de renegociação de dívidas, segurou reajustes de combustíveis com novos subsídios, anunciou linhas de crédito e prometeu ampliar benefícios sociais e habitacionais. Nos bastidores de Brasília, a leitura é de que Lula tenta desesperadamente criar uma sensação artificial de alívio econômico antes que o desgaste se torne irreversível.
A movimentação ocorre justamente após pesquisas mostrarem que a rejeição ao petista continua elevada. Levantamento Genial/Quaest apontou rejeição de 53%, enquanto o Datafolha revelou que 47% dos eleitores afirmam que “não votariam de jeito nenhum” em Lula. O cenário acendeu o alerta máximo dentro do Planalto, principalmente diante do avanço da percepção negativa sobre economia, segurança pública e perda do poder de compra.
A revogação da “taxa das blusinhas” foi considerada o gesto mais simbólico dessa nova estratégia eleitoral. O imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 havia sido criado pelo próprio governo Lula sob o discurso de aumentar arrecadação e proteger a indústria nacional. Porém, após virar símbolo de desgaste nas redes sociais, principalmente entre jovens e consumidores de baixa renda, o Planalto decidiu recuar às pressas a poucos meses da eleição.
Críticos do governo classificam a medida como exemplo clássico da chamada “teoria do bode na sala”: cria-se um problema impopular, deixa-se a população sofrer desgaste e, depois, o próprio governo remove o problema tentando posar como salvador. A mesma lógica estaria sendo aplicada agora na questão das apostas esportivas e no Desenrola 2.0, lançado para tentar aliviar o endividamento das famílias após a explosão das bets regulamentadas justamente pelo próprio governo.
Além das medidas econômicas, Lula também tenta reagir ao isolamento político crescente no Congresso Nacional. A relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entrou em colapso após a histórica rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
O episódio foi interpretado em Brasília como uma das maiores derrotas políticas de Lula neste mandato. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou um indicado presidencial ao STF, expondo a fragilidade da articulação do governo e o avanço do poder do Congresso sobre o Executivo.
Nos bastidores, aliados do Planalto afirmam que Lula considera a relação com Alcolumbre apenas “institucional”. O clima piorou ainda mais após o presidente insistir na indicação de Messias mesmo diante de alertas da própria base governista sobre o risco de derrota.
A derrota no Senado também evidenciou o enfraquecimento da base de apoio do governo. Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o STF e teria articulado silenciosamente contra o indicado de Lula. O placar de 42 votos contrários contra 34 favoráveis escancarou traições dentro de partidos considerados aliados do Planalto.
Mesmo acuado, Lula ainda cogita reenviar o nome de Jorge Messias ao Senado numa tentativa de transformar a derrota em demonstração de força política. Porém, interlocutores do Congresso avaliam que a insistência pode aprofundar ainda mais a crise entre Executivo e Senado.
Enquanto tenta reconstruir pontes políticas e recuperar apoio popular, o governo aposta em anúncios sucessivos para dominar o noticiário positivo. A estratégia inclui combate ao crime organizado, expansão do Minha Casa Minha Vida, crédito para motoristas de aplicativo, novos consignados e promessas de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O problema para o Planalto é que parte do eleitorado já demonstra resistência ao discurso oficial. Analistas avaliam que o pacote de medidas pode não produzir efeito rápido suficiente para reverter a percepção de piora econômica e desgaste político acumulado nos últimos meses.
Em Brasília, cresce a avaliação de que Lula entrou na fase das “últimas cartadas” para tentar evitar que a rejeição consolide um cenário eleitoral cada vez mais difícil em 2026.