Brasil Escala de trabalho
Lula acelera fim da escala 6x1 e Congresso corre para aprovar jornada de 40 horas ainda em 2026
Acordo fechado com Hugo Motta prevê redução imediata da carga horária sem corte salarial e coloca trabalhadores e empresários em clima de tensão no Congresso
25/05/2026 16h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em uma ofensiva decisiva para aprovar ainda neste ano o fim da escala 6x1 e reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial. Após reunião fechada nesta segunda-feira (25) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o Palácio do Planalto costurou um acordo político para acelerar a tramitação da PEC que promete provocar uma das maiores mudanças nas relações de trabalho dos últimos anos.

Pelo texto negociado entre Lula e Motta, a mudança começará a valer apenas 60 dias após a promulgação da proposta. Nesse primeiro momento, haverá redução imediata de duas horas na jornada semanal e implantação do modelo 5x2 — cinco dias trabalhados e dois de descanso. Depois de 12 meses, outras duas horas serão cortadas, concluindo a redução total para 40 horas semanais em um prazo máximo de 14 meses.

A medida ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado, mas o governo já trabalha em ritmo acelerado para garantir a aprovação antes que o calendário eleitoral e o recesso parlamentar esvaziem o Congresso. A expectativa é que o relatório seja votado ainda nesta semana na comissão especial e também no plenário da Câmara.

Nos bastidores, o principal ponto de conflito era justamente o tempo de transição. Enquanto setores empresariais e parte do Centrão defendiam um prazo de até dez anos para adaptação, Lula pressionava por uma mudança quase imediata. O acordo fechado com Hugo Motta acabou sendo visto como uma saída intermediária para evitar o travamento da proposta.

A PEC também virou uma vitrine política para o governo federal. Lula tenta transformar o fim da escala 6x1 em uma das principais bandeiras sociais da sua gestão de olho em 2026, apostando no forte apelo popular da proposta junto aos trabalhadores brasileiros.

Apesar do avanço político, o texto ainda provoca forte reação entre empresários e setores produtivos, que alertam para aumento de custos, impacto na produtividade e dificuldades de adaptação, principalmente no comércio e nos serviços. O governo, porém, resiste em criar compensações amplas para empresas afetadas pela mudança.

A única possibilidade em discussão seria algum tipo de alívio direcionado às micro e pequenas empresas, seja por meio de linhas de crédito, incentivos específicos ou futura regulamentação complementar.

Hugo Motta afirmou que a proposta será debatida diretamente por meio de uma PEC justamente para acelerar a tramitação e evitar novos atrasos. O presidente da Câmara também reforçou que a mudança ocorrerá sem redução de salários, ponto considerado inegociável pelo governo federal.

Com a pressão do Planalto, apoio crescente entre trabalhadores e resistência do setor empresarial, o Congresso entra agora em uma semana decisiva que pode redefinir a rotina de milhões de brasileiros e marcar uma das maiores mudanças trabalhistas desde a reforma aprovada em 2017.