Política Eleições
Riedel dispara, Senado embola e federações travam guerra silenciosa por sobrevivência política em MS
Pesquisa consolida favoritismo de Eduardo Riedel, enquanto disputa pelo Senado segue aberta e bastidores revelam pressão para enfraquecer chapas rivais nas eleições de 2026
27/05/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul começa a ganhar contornos cada vez mais definidos para o Governo do Estado, mas segue completamente aberta na disputa pelo Senado e nas articulações de bastidores para a Câmara Federal. A nova pesquisa do Instituto Novo Ibrape, divulgada nesta quarta-feira, consolidou o governador Eduardo Riedel (PP) como amplo favorito à reeleição, enquanto o cenário para o Senado virou um verdadeiro campo de batalha entre lideranças da direita e da centro-direita sul-mato-grossense.

Segundo o levantamento, Riedel aparece com 46,6% das intenções de voto, índice que lhe garantiria vitória em primeiro turno com 58,9% dos votos válidos. O petista Fábio Trad surge distante, com 17,5%, seguido por João Henrique Catan (Novo), com 6,9%, e Renato Gomes (DC), com 4,3%.

O levantamento reforça uma tendência observada desde o início do ano: a manutenção da força política do grupo governista no Estado. Pesquisas anteriores já apontavam alta aprovação da gestão de Riedel e rejeição elevada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso do Sul, cenário que fortalece o campo conservador e de centro-direita local.

Enquanto o Governo parece caminhar para uma disputa confortável, o Senado virou território de tensão máxima. Reinaldo Azambuja (PL) lidera com 22,3%, mas aparece tecnicamente empatado com Capitão Contar, que soma 18%, e Nelsinho Trad (PSD), com 17,1%. O cenário alternativo com Marcos Pollon no lugar de Contar mostra nova configuração, mas mantém Azambuja na dianteira.

A disputa pelas duas vagas ao Senado também escancarou o racha estratégico dentro dos partidos aliados. O PL ainda não definiu oficialmente quais nomes irão para a disputa, enquanto o PP da senadora Tereza Cristina mantém cautela, apesar do acordo informal com o bolsonarismo local.

Nos bastidores, a sobrevivência eleitoral virou prioridade. A nova regra eleitoral que flexibilizou o acesso às chamadas “sobras” acendeu o alerta entre os partidos do chapão governista. O fortalecimento da chapa proporcional do PSDB passou a ser tratado como ameaça direta por legendas como PL, PP/União e Republicanos, que enxergam risco real de perder cadeiras na Câmara Federal caso os tucanos consigam atingir votação competitiva.

O movimento provocou uma verdadeira operação de pressão política para enfraquecer a chapa tucana. O PSDB já sofreu baixas importantes, como a desistência do ex-prefeito José Carlos Krug, e enfrenta resistência até mesmo de antigos aliados que deixaram o partido após a saída de Riedel e Reinaldo Azambuja da legenda.

A tensão também atingiu o MDB. O ex-ministro Carlos Marun descartou disputar vaga para deputado federal, mas admitiu possibilidade de entrar na corrida ao Senado, enquanto o ex-governador André Puccinelli trabalha para convencer nomes históricos da sigla a fortalecerem a chapa proporcional.

Na Câmara de Campo Grande, outro impasse expõe as divisões internas do PP. Duas semanas após Maicon Nogueira deixar a liderança da bancada para atuar com “mais independência”, o partido ainda não conseguiu definir substituto, evidenciando dificuldades de articulação dentro da legenda.

Já no Judiciário eleitoral, o deputado estadual Lucas de Lima conseguiu sobreviver a mais uma batalha jurídica. A ação que pedia a perda de seu mandato por infidelidade partidária foi extinta após a autora do processo, Glaucia Iunes, deixar o PDT, perdendo assim legitimidade para reivindicar a vaga.

Em meio ao tabuleiro em constante mudança, a figura de Tereza Cristina também ganhou força nacionalmente. A senadora voltou a ter o nome ventilado como alternativa da direita para a Presidência da República diante do desgaste envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar disso, a parlamentar afirma que seu foco segue sendo o Senado e a articulação do campo conservador contra o PT.

Com pesquisas apontando favoritismo consolidado de Riedel, Senado indefinido e partidos travando uma guerra silenciosa por sobrevivência política, Mato Grosso do Sul entra oficialmente em uma das pré-campanhas mais movimentadas e imprevisíveis dos últimos anos.