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Câmara avança em pauta social e CPI da Saúde ganha força em meio ao caos na Capital
Vereadores discutem ampliação da isenção do IPTU para famílias de baixa renda enquanto pressão por investigação na saúde pública cresce após denúncias de dívidas milionárias
27/05/2026 14h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

A Câmara Municipal de Campo Grande terá uma sessão decisiva nesta quinta-feira (28), marcada por debates sobre justiça tributária e pela crescente pressão política em torno da crise na saúde pública da Capital. Na pauta dos vereadores está o projeto que amplia a isenção do IPTU para famílias de baixa renda e aposentados, além do avanço da articulação para instalação de uma CPI destinada a investigar o rombo financeiro na saúde municipal.

O principal projeto em discussão é o Projeto de Lei Complementar 895/23, de autoria do vereador Carlão, que altera a legislação municipal para ampliar o acesso à isenção do IPTU e das taxas de serviços urbanos. A proposta retira a vinculação exclusiva ao valor venal do imóvel, ponto que vinha causando perda do benefício para diversos contribuintes após reavaliações imobiliárias promovidas pelo município.

Na prática, moradores de bairros que receberam melhorias urbanas acabaram penalizados com aumento no valor venal dos imóveis, mesmo vivendo em residências antigas ou deterioradas. O novo texto tenta corrigir essa distorção e garantir que aposentados, pensionistas e famílias de baixa renda não percam a isenção apenas por mudanças cadastrais promovidas pela prefeitura.

O debate ocorre justamente em meio à forte polêmica envolvendo o IPTU 2026 em Campo Grande. Nos últimos meses, milhares de contribuintes questionaram reajustes e mudanças nos critérios de cobrança, situação que gerou ações judiciais e manifestações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontando possíveis irregularidades na atualização tributária.

Enquanto a pauta tributária movimenta o plenário, a crise na saúde pública aumenta a pressão sobre a prefeita Adriane Lopes. Vereadores já articulam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar denúncias de atrasos milionários nos pagamentos a fornecedores da saúde.

Até o momento, sete parlamentares assinaram o requerimento da CPI: Maicon Nogueira (PP), Jean Ferreira (PT), Luiza Ribeiro (PT), Flávio Cabo Almi (PSDB), Marquinhos Trad (PV), André Salineiro (PL) e Fábio Rocha (União). Falta apenas uma assinatura para que a investigação seja oficialmente instaurada.

A pressão aumentou após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul abrir procedimento para investigar o passivo milionário da saúde municipal. Segundo denúncias encaminhadas ao MPMS, fornecedores estariam há mais de 500 dias sem receber pagamentos por medicamentos e insumos hospitalares, situação que ameaça diretamente o abastecimento das unidades públicas de saúde.

A movimentação revela uma rara convergência entre vereadores de oposição e até integrantes da base, que passaram a defender investigação mais aprofundada sobre a gestão da saúde municipal. Nos bastidores da Câmara, o entendimento é de que o desgaste da área já ultrapassou o campo administrativo e se tornou um problema político de grandes proporções.

Com a pauta social do IPTU e a possível CPI da Saúde dominando o cenário, a Câmara de Campo Grande entra em uma semana de forte tensão política e pressão popular, colocando o Legislativo municipal no centro dos principais debates que afetam diretamente a população da Capital.