A Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 entrou definitivamente no centro da disputa política e econômica em Brasília. Com apoio direto do governo Lula e articulação acelerada da Câmara dos Deputados, a PEC prevê redução gradual da jornada de trabalho já a partir de 2026, mas enfrenta forte resistência de empresários e pressão da oposição no Senado.
O relatório apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) estabelece uma mudança histórica nas relações de trabalho do país: a jornada semanal cairá das atuais 44 horas para 42 horas apenas 60 dias após a promulgação da PEC, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Depois de 12 meses, a carga horária será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem corte salarial.
A proposta ainda mantém direitos como 13º salário, férias, FGTS, adicional de horas extras e licenças maternidade e paternidade, mas abre espaço para acordos coletivos flexibilizarem escalas em setores específicos, como comércio, serviços essenciais e jornadas especiais, incluindo o modelo 12x36.
O governo Lula trabalha para transformar a medida em uma vitrine eleitoral voltada à classe trabalhadora. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alinhou com o Palácio do Planalto um cronograma relâmpago para aprovar a proposta ainda este ano, tentando evitar que o tema fique travado durante o período eleitoral.
A pressa, porém, provocou reação imediata do setor produtivo. Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fiesp e Fecomercio se reuniram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo mais tempo para discussão e criticando a velocidade da tramitação na Câmara.
Nos bastidores, empresários avaliam que a proposta pode elevar custos trabalhistas, pressionar pequenas empresas e gerar impactos em setores que dependem de escalas contínuas. A estratégia agora é tentar alongar a tramitação no Senado e ampliar o período de transição da nova jornada.
Apesar da pressão, líderes aliados de Alcolumbre reconhecem que a PEC se tornou politicamente difícil de barrar devido à forte repercussão popular. Ainda assim, o presidente do Senado evita assumir compromisso público com um calendário rápido para votação.
A oposição também tenta alterar o texto. Um dos pontos defendidos por aliados do PL é incluir na PEC um modelo de remuneração por hora trabalhada, semelhante ao sistema norte-americano. A proposta enfrenta resistência do relator Leo Prates e de parlamentares do centro, que enxergam risco de precarização das relações de trabalho.
Enquanto o Senado se transforma no principal campo de batalha da PEC, o tema já mobiliza sindicatos, trabalhadores e empresários em todo o país. O fim da escala 6x1 passou de promessa de campanha para uma das pautas mais explosivas do Congresso Nacional em 2026, colocando Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre no centro de uma disputa que mistura pressão popular, interesses econômicos e cálculo eleitoral.