A política de Mato Grosso do Sul entrou de vez em modo pré-eleitoral e os bastidores já vivem uma verdadeira guerra silenciosa por espaço, influência e sobrevivência política. Enquanto lideranças tentam consolidar alianças e fortalecer chapas, partidos enfrentam disputas internas, desistências estratégicas e articulações que podem redefinir completamente o cenário de 2026.
O epicentro da tensão segue sendo o Senado. O PL, principal força da direita no Estado, vive dias decisivos para definir quem ocupará a segunda vaga da chapa ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja. A movimentação mais recente veio da presidente do PL Mulher em Mato Grosso do Sul, Naiane Bitencourt, que publicou nas redes sociais uma mensagem interpretada nos bastidores como um adeus à disputa eleitoral.
Aliada próxima de Michelle Bolsonaro e apontada como um dos projetos políticos do bolsonarismo feminino no Estado, Naiane acabou se tornando peça importante no tabuleiro interno do partido. Sua saída de cena fortalece ainda mais a possibilidade de o deputado federal Marcos Pollon disputar a reeleição para a Câmara Federal, abrindo caminho para que Capitão Contar consolide espaço na corrida ao Senado.
Nos bastidores do PL, a avaliação é de que a novela envolvendo Pollon e Contar começa a caminhar para um desfecho, embora o partido ainda conviva com pressões vindas diretamente do núcleo bolsonarista ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Enquanto isso, novas articulações seguem acontecendo nos bastidores da legenda. Fontes ligadas ao partido afirmam que o PL já trabalha, inclusive, com nomes praticamente definidos para as suplências ao Senado. O advogado Felipe Mattos aparece como favorito para compor a chapa de Reinaldo Azambuja, enquanto o economista Jaime Verruck surge como principal nome para eventual composição com Capitão Contar.
A movimentação de Verruck simboliza bem o cenário de instabilidade e reposicionamento político vivido em Mato Grosso do Sul. Após deixar o comando da Semadesc e ensaiar candidatura ao Senado, depois à Câmara Federal e até ser cogitado como vice de Eduardo Riedel, o ex-secretário agora aparece como peça estratégica em uma possível chapa majoritária.
Do outro lado, o PP também enfrenta turbulências internas. Na Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Beto Avelar precisou acumular as funções de líder da prefeita Adriane Lopes e líder do partido após o desgaste envolvendo Maicon Nogueira.
Maicon passou a adotar postura mais crítica em relação à administração municipal e acabou deixando a liderança da sigla. Nos bastidores, a leitura é de que o episódio serviu como recado interno sobre os limites da independência dentro do grupo político comandado pelo Progressistas em Mato Grosso do Sul.
Sem interessados em assumir o posto, Beto Avelar acabou sendo escolhido por necessidade, em um cenário que evidencia o desgaste interno e a tentativa do partido de manter controle absoluto sobre a bancada.
Ao mesmo tempo, a federação entre PP e União Brasil segue redesenhando o mapa político estadual. A união fortaleceu lideranças como a senadora Tereza Cristina e abriu espaço para novos nomes ganharem protagonismo dentro da reorganização partidária.
Neste contexto, cresce a construção política de Marco Aurélio Santullo, pré-candidato a deputado estadual pelo PP. Com forte presença regional em Aquidauana e Anastácio, trânsito em Brasília e proximidade com Tereza Cristina e Rose Modesto, Santullo aparece como uma das apostas do grupo para ampliar a força da federação nas eleições de 2026.
A avaliação nos bastidores é de que Mato Grosso do Sul viverá uma das eleições mais disputadas dos últimos anos, especialmente pela combinação entre fortalecimento das federações, disputa intensa pelas vagas proporcionais e a guerra interna por espaço nas chapas majoritárias.
Com alianças sendo refeitas, antigos adversários dividindo palanque e lideranças tentando sobreviver à nova configuração partidária, o Estado já entrou oficialmente em clima de disputa eleitoral — mesmo antes do início formal da campanha.