O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mergulhou de vez em uma corrida frenética para tentar conter o desgaste político do terceiro mandato e evitar que a crise econômica enterre de vez o projeto de reeleição em 2026.
Diante da piora nas pesquisas, do avanço da rejeição e da explosão das recuperações judiciais no país, o governo passou a lançar uma avalanche de programas, linhas de crédito, renegociações de dívidas, subsídios e benefícios sociais numa ofensiva que já movimenta centenas de bilhões de reais e levanta acusações de uso escancarado da máquina pública em ano pré-eleitoral.
O movimento ocorre justamente no momento em que a narrativa de “economia forte” do governo começa a desmoronar diante da realidade enfrentada por empresas, trabalhadores e consumidores.
Enquanto Lula intensifica propagandas e distribui novas promessas, o Brasil registra em 2025 o maior número de recuperações judiciais da história. Gigantes tradicionais do mercado, como GPA, Bombril, Tok&Stok e Estrela, entraram em colapso financeiro em meio ao crédito caro, juros elevados, inadimplência e perda de confiança econômica.
Mesmo assim, o Planalto decidiu acelerar ainda mais os gastos.
Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram que o chamado “pacotão eleitoral” de Lula já supera R$ 200 bilhões em medidas voltadas a públicos estratégicos da eleição. Há estimativas que apontam impacto superior a R$ 400 bilhões entre programas sociais, subsídios, crédito facilitado e renúncias fiscais.
A estratégia mira justamente setores onde Lula enfrenta maior resistência eleitoral.
O governo abriu novas linhas de crédito para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativo, categorias historicamente mais alinhadas à direita. Também ampliou programas habitacionais, expandiu o crédito consignado, reforçou o Minha Casa Minha Vida, relançou o Desenrola e aumentou subsídios para gás de cozinha e combustíveis.
Nos bastidores de Brasília, cresce a avaliação de que Lula tenta repetir a velha fórmula petista de irrigar a economia artificialmente às vésperas da eleição enquanto empurra o ajuste fiscal para o futuro.
Economistas alertam que o excesso de estímulos pode agravar ainda mais a inflação, dificultar a queda dos juros e ampliar o endividamento das famílias brasileiras.
A contradição incomoda até parte do mercado financeiro: enquanto o Banco Central mantém juros elevados para tentar conter a inflação, o governo injeta mais dinheiro na economia numa espécie de “vale-tudo eleitoral”.
Além da expansão de gastos, Lula também intensificou a ofensiva populista em pautas de forte apelo popular. O governo investiu pesado em publicidade para defender o fim da escala 6x1 e tentar recuperar a imagem de “pai dos pobres”, reativando o discurso histórico do PT de confronto entre “ricos e trabalhadores”.
Nos bastidores políticos, porém, aliados admitem preocupação com a dificuldade do presidente em recuperar popularidade de forma consistente.
Mesmo após meses de anúncios bilionários, pesquisas ainda mostram um país dividido e uma aprovação instável. Em alguns levantamentos, a desaprovação do governo continua acima da aprovação, cenário que aumentou o clima de tensão dentro do PT.
A oposição passou a explorar o contraste entre o discurso otimista do Planalto e a situação enfrentada pelo setor produtivo.
Parlamentares acusam Lula de estimular gastos irresponsáveis enquanto empresas quebram, famílias se endividam e o custo de vida segue pressionando os brasileiros.
Para críticos do governo, o presidente estaria repetindo uma receita conhecida da política brasileira: ampliar despesas, inflar programas sociais e liberar crédito em massa para tentar sobreviver eleitoralmente.
O problema é que, desta vez, o cenário econômico aparece muito mais deteriorado, com crise fiscal crescente, aumento da dívida pública, insegurança no mercado e uma economia que já dá sinais claros de desgaste.
Enquanto Lula tenta vender a imagem de prosperidade em rede nacional, o país vê crescer a sensação de insegurança econômica, descontrole fiscal e perda de confiança no futuro.
E é justamente essa combinação explosiva que transformou o “pacotão de bondades” do governo em um dos temas mais polêmicos e explosivos da corrida presidencial de 2026.