A Prefeitura de Campo Grande arrecadou R$ 1,28 bilhão nos quatro primeiros meses de 2026, registrando crescimento de 4,32% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a receita somou R$ 1,23 bilhão. Apesar do avanço de aproximadamente R$ 50 milhões nos cofres municipais, vereadores cobraram da administração municipal mais eficiência na aplicação dos recursos e melhorias concretas nos serviços prestados à população.
Os números foram apresentados durante audiência pública de prestação de contas realizada na Câmara Municipal. O debate foi marcado por críticas sobre a situação da saúde, infraestrutura urbana, limpeza pública e pelos questionamentos sobre os impactos da reforma administrativa que prometia reduzir despesas da máquina pública.
Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, o vereador Otávio Trad demonstrou preocupação com o aumento dos gastos com pessoal e com a arrecadação do IPTU. Segundo ele, mesmo após reajustes no imposto e redução dos descontos oferecidos aos contribuintes, o crescimento da receita do tributo foi praticamente estagnado.
Nos primeiros quatro meses do ano, a arrecadação do IPTU alcançou R$ 367,1 milhões, avanço de apenas 0,34% em relação ao mesmo período de 2025. Já o ISS apresentou desempenho melhor, com crescimento de 6,34%, atingindo R$ 239,1 milhões.
Durante a audiência, vereadores também cobraram explicações sobre a percepção da população em relação aos serviços públicos. A principal reclamação foi o contraste entre o crescimento da arrecadação e a manutenção de problemas históricos em áreas essenciais.
As críticas atingiram principalmente a saúde pública, os serviços de tapa-buraco, a zeladoria urbana e a falta de medicamentos nas unidades de atendimento. Parlamentares argumentaram que a população não percebe na prática o reflexo do aumento da receita municipal, mesmo mantendo o pagamento dos tributos.
Outro ponto que gerou preocupação foi a situação financeira da prefeitura em relação às despesas. Os gastos com pessoal cresceram 15% no primeiro quadrimestre, enquanto as despesas de custeio aumentaram 16,73%. Atualmente, o comprometimento da Receita Corrente Líquida com a folha de pagamento alcança 53,9%, percentual superior ao limite prudencial de 51,3% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, reconheceu dificuldades para equilibrar as contas e admitiu a existência de atrasos em pagamentos a alguns fornecedores. Segundo ele, a prefeitura trabalha em cronogramas de negociação para regularizar os débitos e evitar impactos maiores na prestação dos serviços públicos.
Na saúde, os investimentos representam atualmente 22,8% da receita, acima do mínimo constitucional de 15%, mas vereadores questionaram a redução dos percentuais em comparação ao ano passado e alertaram para problemas recorrentes nas unidades de atendimento. A administração municipal afirma que a meta é elevar os investimentos da área para até 29% até o fim do ano.
Também entrou em debate o congelamento dos repasses de ICMS para Campo Grande. Enquanto a arrecadação do imposto permaneceu em R$ 174 milhões no comparativo anual, o repasse do IPVA apresentou crescimento de 7,9%, alcançando R$ 176,6 milhões. Vereadores defenderam uma articulação mais forte junto ao Governo do Estado para ampliar os recursos destinados à Capital.
Ao fim da audiência, ficou evidente o principal desafio da administração municipal: transformar o crescimento da arrecadação em melhorias perceptíveis para a população. Embora os números indiquem avanço nas receitas, o clima no Legislativo foi de cobrança por resultados concretos nas ruas, nos postos de saúde e nos serviços básicos da cidade.