A Prefeitura de Campo Grande vive dias decisivos para o futuro da saúde pública municipal. Enquanto aguarda uma resposta do Ministério da Saúde sobre a ampliação dos repasses federais para atendimentos de média e alta complexidade, a administração municipal retomou uma licitação bilionária destinada à manutenção da limpeza das unidades de saúde da Capital.
A expectativa da gestão é obter um reajuste no teto MAC (Média e Alta Complexidade), principal fonte de custeio de procedimentos especializados realizados pelo SUS. A negociação ganhou força após uma reunião realizada em Brasília com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que recebeu representantes da Prefeitura e ouviu as reivindicações do município.
Segundo o deputado federal Vander Loubet, a proposta em análise prevê um incremento mensal de aproximadamente R$ 4,5 milhões nos cofres da saúde municipal. Caso seja confirmado, o reajuste representará um reforço importante para hospitais, centros especializados, exames de alta complexidade e procedimentos cirúrgicos que hoje pressionam o orçamento da Prefeitura.
O pedido ocorre em um momento de crescente demanda por serviços especializados e de constantes debates sobre o financiamento da saúde pública nas grandes cidades. Atualmente, Campo Grande recebe cerca de R$ 370 milhões anuais por meio do teto MAC, valor considerado insuficiente por gestores municipais diante do aumento dos custos operacionais e da procura por atendimento.
Paralelamente à busca por novos recursos, a Prefeitura voltou a movimentar uma licitação estratégica para garantir o funcionamento da rede municipal. O processo prevê a contratação de empresa especializada para serviços de limpeza, higienização, desinfecção e gerenciamento de resíduos das unidades de saúde.
O contrato inicial está estimado em R$ 183 milhões para cinco anos, mas poderá ser prorrogado por mais uma década, elevando o valor total para até R$ 549 milhões, tornando-se um dos maiores contratos em execução na estrutura da saúde municipal.
A disputa chamou atenção pela intensa concorrência. Durante o pregão eletrônico realizado em março, mais de 800 lances foram registrados entre as empresas participantes. A Produserv, responsável pelos serviços nos últimos anos, apresentou a menor proposta e prometia gerar economia milionária aos cofres públicos. No entanto, acabou desclassificada por não apresentar uma licença sanitária exigida no edital.
Com a inabilitação da primeira colocada, a Prefeitura convocou a segunda colocada, a empresa Uniserve Comércio e Serviços Terceirizados, sediada em Brasília, para apresentar a documentação necessária. A nova etapa do certame está marcada para o próximo dia 9 de junho.
A administração municipal argumenta que a contratação é indispensável para evitar prejuízos ao funcionamento da rede de saúde, já que o atual contrato se aproxima do encerramento e não há servidores efetivos em número suficiente para executar diretamente os serviços especializados exigidos em hospitais, UPAs e postos de saúde.
Dessa forma, a Prefeitura concentra esforços em duas frentes simultâneas: garantir mais recursos federais para ampliar a capacidade de atendimento e concluir uma licitação considerada essencial para manter a estrutura da saúde funcionando sem interrupções. As próximas semanas devem definir o rumo de ambas as questões.