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Pesquisas, disputa no PL e bilhões em jogo aceleram corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul
Levantamentos previstos para os próximos dias devem medir a força dos pré-candidatos, enquanto definição ao Senado, articulações partidárias e divisão do fundo eleitoral intensificam a movimentação política no Estado
05/06/2026 14h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul entra em uma fase decisiva nos próximos dias. Com três pesquisas programadas para divulgação, disputas internas por candidaturas estratégicas e a definição bilionária do fundo eleitoral, o cenário político estadual começa a ganhar contornos mais claros a poucos meses das eleições de outubro.

O primeiro termômetro será divulgado neste domingo (7), quando os institutos Ranking e Veritá apresentarão novos retratos da corrida eleitoral. O Instituto Ranking ouviu 2 mil eleitores entre os dias 1º e 6 de junho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Já o Veritá entrevistou 1.220 eleitores entre os dias 1º e 7 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais. Na quarta-feira (10), será a vez do Instituto Ipems divulgar levantamento realizado com 950 entrevistados.

Os números são aguardados com expectativa por partidos e pré-candidatos, principalmente porque poderão indicar tendências de crescimento, consolidação ou dificuldades das principais candidaturas em disputa.

Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, a estratégia é manter as duas cadeiras atualmente ocupadas pelo grupo na Câmara Federal. A deputada federal Camila Jara buscará a reeleição, enquanto o ex-prefeito de Campo Grande e atual vereador Marquinhos Trad surge como a principal aposta da federação para ampliar a votação da chapa.

A saída do deputado federal Vander Loubet da disputa proporcional para concorrer ao Senado abre espaço para uma redistribuição de votos dentro da federação. A expectativa da legenda é que Camila e Marquinhos se transformem nos principais puxadores de votos, permitindo ao grupo repetir o desempenho obtido nas últimas eleições.

Enquanto isso, a disputa mais acirrada acontece dentro do PL. O partido precisa definir quem ocupará a segunda vaga ao Senado na chapa liderada pelo ex-governador Reinaldo Azambuja. A decisão envolve dois nomes de peso da direita sul-mato-grossense: o deputado federal Marcos Pollon e o ex-deputado estadual Capitão Contar.

A disputa ganhou contornos nacionais. Pollon tem recebido demonstrações públicas de apoio de aliados próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Já setores da direção estadual do PL e lideranças partidárias avaliam que Capitão Contar apresenta desempenho mais competitivo em pesquisas internas.

O embate ganhou novos capítulos nas redes sociais após questionamentos sobre promessas de apoio feitas por Bolsonaro ao longo dos últimos anos. A troca de mensagens entre Pollon e apoiadores do partido expôs a pressão existente para evitar divisões dentro do eleitorado conservador às vésperas da definição oficial da chapa.

Além das pesquisas e das articulações políticas, outro fator que promete influenciar diretamente a campanha é a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a divisão de R$ 4,9 bilhões entre os partidos para a eleição deste ano.

A coligação liderada pelo governador Eduardo Riedel reúne, até o momento, legendas que concentram mais da metade dos recursos disponíveis nacionalmente, incluindo PL, PP, Republicanos, MDB e PSDB. O bloco aparece com ampla vantagem financeira em relação aos demais grupos políticos.

Já o campo liderado pelo PT e seus aliados contará com a segunda maior fatia dos recursos entre os grupos organizados no Estado. Partidos menores, como PSOL, Novo, Democracia Cristã e Agir, terão participação significativamente inferior no fundo eleitoral.

Com pesquisas prestes a serem divulgadas, disputas internas ainda indefinidas e recursos bilionários entrando na equação eleitoral, Mato Grosso do Sul inicia um dos períodos mais intensos da pré-campanha, com decisões que poderão influenciar diretamente o desenho da disputa pelo Governo do Estado, Senado e Câmara Federal.