A sucessão eleitoral em Mato Grosso do Sul entra em uma fase de intensa movimentação política, marcada por disputas internas nos partidos, articulações de bastidores e uma corrida cada vez mais acirrada por espaço nas chapas proporcionais. O principal foco das atenções está no PL, onde a definição da segunda vaga ao Senado foi adiada e ampliou a tensão entre os grupos do deputado federal Marcos Pollon e do ex-deputado estadual Capitão Contar.
O adiamento da decisão, anunciado pelo presidente estadual do partido, Reinaldo Azambuja, gerou especulações e reforçou a percepção de que o PL ainda não encontrou consenso sobre quem acompanhará o ex-governador na disputa pelo Senado. Oficialmente, a justificativa é o atraso das pesquisas encomendadas para embasar a escolha. Nos bastidores, porém, lideranças partidárias avaliam que a prorrogação reflete a divisão interna entre os diretórios e a influência da família Bolsonaro no processo.
Neste fim de semana, Marcos Pollon elevou o tom da disputa ao publicar vídeo nas redes sociais afirmando que “o sistema” tenta silenciar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar voltou a citar uma carta divulgada por Michelle Bolsonaro, na qual Bolsonaro teria indicado Pollon como seu candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul. A manifestação reforçou a estratégia do deputado de associar sua candidatura diretamente ao ex-presidente e ao núcleo familiar bolsonarista.
Enquanto isso, Capitão Contar segue respaldado por setores importantes da direção estadual e nacional do PL. O impasse evidencia uma disputa que vai além das pesquisas eleitorais e envolve influência política, alinhamentos ideológicos e a capacidade de articulação dentro do partido.
A indefinição ocorre em um momento em que as legendas enfrentam uma batalha ainda maior: a formação das chapas proporcionais. Com poucas vagas disponíveis e um número elevado de candidatos competitivos, cresce a preocupação entre deputados e pré-candidatos sobre o risco de conquistar expressiva votação e, mesmo assim, ficar fora dos cargos eletivos por causa da concorrência interna.
Levantamento divulgado pelo Instituto Ranking reforça esse cenário e aponta uma disputa equilibrada pelas cadeiras da Câmara Federal. A projeção indica que dificilmente uma única legenda conseguirá eleger três deputados federais, aumentando a pressão sobre os candidatos considerados “puxadores de voto”.
Os números também mostram um cenário competitivo para o Senado. Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho Trad aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro, demonstrando que a corrida ainda está aberta e que a definição dos partidos poderá ter impacto decisivo no resultado final.
Na disputa pelas vagas da Assembleia Legislativa, o PL aparece com potencial para formar a maior bancada da Casa, enquanto a federação União Progressista, o PT e o PSDB também buscam consolidar espaço. O quadro revela que, além da batalha majoritária, os partidos travam uma guerra silenciosa pela sobrevivência política de suas lideranças e pela ocupação dos espaços de poder que estarão em disputa em 2026.
Com pesquisas equilibradas, alianças ainda em construção e disputas internas cada vez mais visíveis, Mato Grosso do Sul inicia uma das pré-campanhas mais disputadas dos últimos anos, em que cada decisão partidária poderá redefinir o mapa político do Estado.