A sucessão eleitoral em Mato Grosso do Sul começou a ganhar contornos de disputa aberta nos bastidores. Em meio à corrida pelas duas vagas ao Senado, partidos intensificam articulações, disputas internas e movimentos estratégicos que podem redesenhar o cenário político do Estado nos próximos meses.
Um dos fatos que mais repercutiram foi a confirmação da pré-candidatura da ex-ministra Simone Tebet (PSB) ao Senado. A declaração ocorreu após ela revelar ter recebido uma mensagem do presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçando que seu nome é o escolhido pelo partido para a disputa. A decisão enterra especulações sobre uma eventual composição em outra chapa e coloca Simone novamente no centro do tabuleiro político sul-mato-grossense.
Enquanto isso, na Assembleia Legislativa, o Republicanos decidiu ampliar seu espaço de poder. Após crescer durante a janela partidária e alcançar quatro deputados estaduais, a legenda passou a reivindicar independência dos blocos parlamentares. A movimentação pode provocar uma reorganização interna na Casa, mexendo diretamente na composição das comissões e na distribuição de força política entre os parlamentares.
Mas é no PL que a temperatura política está mais elevada. O partido vive uma disputa que pode deixar feridas difíceis de cicatrizar. O ex-deputado estadual Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon travam uma queda de braço pela segunda vaga ao Senado na chapa que já tem o ex-governador Reinaldo Azambuja como favorito para uma das cadeiras.
O problema é que nenhum dos dois demonstra disposição para recuar. Pollon tem sustentado que recebeu o aval de Jair Bolsonaro e afirma que entrou na disputa para valer. Já Contar cobra o cumprimento de compromissos assumidos após sua candidatura ao Governo do Estado em 2022 e também rejeita qualquer alternativa fora da corrida ao Senado.
Nos bastidores, lideranças do PL admitem que a definição poderá gerar desgaste interno. Caso um dos dois fique fora da disputa majoritária, o risco é de enfraquecimento da chapa de deputado federal, considerada estratégica para o projeto eleitoral do partido. A expectativa era eleger até três parlamentares federais, mas a saída de um dos principais nomes da disputa pode dificultar esse objetivo.
Com Simone Tebet oficialmente em campo, o Republicanos ampliando sua influência e o PL enfrentando uma disputa interna cada vez mais acirrada, o cenário político de Mato Grosso do Sul entra em uma fase decisiva. A corrida pelo Senado, que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos no Estado, já começou a movimentar lideranças, partidos e grupos políticos muito antes do início oficial da campanha.