Política Bastidores do poder
Racha entre aliados, disputa pelo Senado e corrida por prefeitos agitam o tabuleiro político de Mato Grosso do Sul
Rompimentos, articulações partidárias e definição de candidaturas movimentam os bastidores enquanto lideranças aceleram a montagem de chapas para 2026
12/06/2026 15h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A menos de dois meses das convenções partidárias, o cenário político de Mato Grosso do Sul vive uma intensa movimentação marcada por rompimentos, disputas internas e articulações para fortalecer projetos eleitorais. Da Câmara Municipal de Campo Grande ao Senado Federal, lideranças aceleram negociações para consolidar alianças e garantir espaço nas chapas que disputarão as eleições de 2026.

Um dos episódios que mais chamou atenção nos bastidores foi o rompimento entre a prefeita Adriane Lopes (PP) e o vereador Maicon Nogueira (PP). Antes aliados, os dois agora ocupam campos políticos distintos.

Após adotar uma postura mais independente na Câmara Municipal e ampliar críticas à administração da Capital, Maicon perdeu espaço dentro do grupo político ligado à prefeita. Segundo relatos de bastidores, o vereador foi informado de que não teria apoio para disputar uma vaga de deputado estadual pela Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.

Sem espaço na estrutura partidária, Maicon decidiu aproximar-se de adversários do grupo governista. O vereador passou a apoiar a pré-candidatura de Rose Modesto (União Brasil) à Câmara Federal e também declarou apoio ao projeto de Márcio Fernandes (PL) para a Assembleia Legislativa. O movimento evidencia um novo capítulo da disputa política na Capital e pode ampliar o desgaste entre antigos aliados.

Enquanto isso, o Partido Liberal enfrenta seus próprios desafios. A legenda ainda busca definir quem ocupará a segunda vaga ao Senado entre Marcos Pollon e Capitão Contar. Ambos mantêm o discurso de que o foco é exclusivamente a disputa senatorial, dificultando os planos da sigla de aproveitar uma eventual candidatura derrotada ao Senado para fortalecer a chapa de deputados federais.

O cenário se torna ainda mais complexo por causa da situação do vereador Rafael Tavares (PL), que atualmente enfrenta impedimentos jurídicos para disputar as eleições. Caso não consiga reverter a situação na Justiça, o partido poderá perder uma importante liderança eleitoral na Capital.

As incertezas preocupam dirigentes do PL porque pesquisas internas apontam a legenda como uma das favoritas para conquistar o maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados. Entretanto, boa parte desse potencial eleitoral está associada aos nomes de Pollon e Capitão Contar.

Na Assembleia Legislativa, outra movimentação relevante envolve o Republicanos. Após ampliar sua representação para quatro deputados estaduais, o partido decidiu buscar maior independência política e solicitou a saída dos blocos parlamentares governistas.

A mudança pode provocar uma reorganização interna na Casa de Leis, já que os blocos parlamentares têm papel estratégico na composição das comissões permanentes e na condução de votações importantes. Com uma bancada própria, o Republicanos ganha mais autonomia para negociar posições e ampliar sua influência nas decisões do Legislativo estadual.

No campo das articulações para o Senado, o senador Nelsinho Trad (PSD) também demonstrou força política ao reunir dezenas de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de diversas regiões do Estado durante evento de prestação de contas realizado em Campo Grande.

Aliados afirmam que o encontro consolidou o apoio de grande parte dos prefeitos sul-mato-grossenses ao projeto de reeleição do senador. A estratégia fortalece sua posição na disputa pelas duas vagas ao Senado e amplia sua presença no interior do Estado.

Já na Federação União Progressista, a expectativa é transformar a união entre União Brasil e PP em uma das maiores forças eleitorais de Mato Grosso do Sul. Sob a liderança de Rose Modesto, o grupo trabalha com metas ambiciosas para a formação das bancadas estadual e federal.

Além da disputa local, as definições nacionais também influenciam os acordos regionais. Enquanto o PL trabalha para consolidar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, partidos como PSD, Novo e setores do MDB avaliam caminhos diferentes. No União Brasil, a decisão sobre o apoio presidencial ainda não foi tomada, embora lideranças estaduais demonstrem simpatia pelo projeto político do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Com convenções previstas para começar em julho, o cenário segue aberto. O que já está claro é que a corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase decisiva, marcada por reacomodações políticas, disputas por espaço e alianças que podem redefinir o equilíbrio de forças no Estado.