A sucessão eleitoral de 2026 já provoca intensa movimentação nos principais partidos políticos de Mato Grosso do Sul. Pesquisa divulgada neste domingo pelo Instituto Ipems revela um cenário de articulações, disputas internas e estratégias eleitorais que envolvem lideranças do PL, PSD, PSB, PT, Novo, PP e outras siglas na corrida pelo Senado e pelo Governo do Estado.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, o levantamento mostra um cenário aberto, embora com vantagem para o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que aparece na liderança com 22,26% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Capitão Contar (PL), com 20,18%, seguido pelo senador Nelsinho Trad (PSD), que registra 16,07%.
A senadora Soraya Thronicke (PSB) aparece com 10,64%, enquanto o deputado federal Vander Loubet (PT) soma 6,65%. Também figuram na pesquisa Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL), Daniel Júnior (Agir) e Fernando Moraes (DC).
Os números mostram que a disputa pelas duas cadeiras no Senado deve ser uma das mais acirradas da história recente do Estado. Como cada eleitor votará em dois candidatos, a capacidade de formar alianças e conquistar o chamado "segundo voto" poderá ser decisiva para definir os vencedores.
No PL, a principal novela política gira em torno da escolha do segundo nome da legenda para a disputa. Enquanto Reinaldo Azambuja já é tratado como candidato natural do partido, Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon travam uma disputa nos bastidores pelo apoio definitivo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As pesquisas indicam vantagem eleitoral de Contar, mas Pollon conta com o apoio declarado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e de setores ligados ao bolsonarismo mais ideológico. O impasse evidencia uma divisão interna no partido entre critérios técnicos, baseados em pesquisas, e critérios políticos ligados à influência da família Bolsonaro.
No PSD, Nelsinho Trad surge como um dos nomes mais competitivos da disputa e mantém posição consolidada entre os primeiros colocados, apostando em seu capital político acumulado após mandatos como prefeito de Campo Grande e senador.
Já o PT trabalha para fortalecer a candidatura de Vander Loubet, buscando ampliar a presença da esquerda no cenário estadual. O partido aposta na estrutura nacional e na associação com o governo federal para crescer durante a campanha.
O PSB, por sua vez, acompanha com atenção a situação da senadora Soraya Thronicke. Além da disputa eleitoral, a parlamentar enfrenta um processo no Tribunal Superior Eleitoral relacionado à prestação de contas da campanha presidencial de 2022. Embora especialistas apontem que uma eventual desaprovação das contas não gere inelegibilidade automática, o caso pode trazer desgaste político em um momento decisivo para sua tentativa de reeleição.
Na corrida pelo Governo do Estado, o cenário mostra ampla vantagem do governador Eduardo Riedel (PP). Segundo a pesquisa, ele aparece com 45,24% das intenções de voto, índice que o coloca próximo de uma vitória ainda no primeiro turno.
Atrás de Riedel aparecem Fábio Trad (PT), com 12,53%, e Delcídio do Amaral (PRD), com 12,30%. Também figuram João Henrique Catan (Novo), Renato Gomes (DC), Lucien Rezende (PSOL) e Jefferson Bezerra (Agir).
O levantamento demonstra que, enquanto a disputa pelo Governo apresenta um favorito consolidado, a corrida pelo Senado permanece totalmente aberta e deverá concentrar grande parte das negociações partidárias nos próximos meses. Com duas vagas em jogo e diferentes grupos políticos buscando espaço, a tendência é de intensificação das articulações entre direita, centro e esquerda na construção das chapas para 2026.
A pesquisa do Instituto Ipems ouviu 950 eleitores entre os dias 5 e 10 de junho. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.