Educação Inovação
Celular sai de cena e tecnologia assume protagonismo nas escolas de MS com robôs, lousas digitais e aulas mais interativas
Investimento de mais de R$ 100 milhões transforma a educação estadual e mostra que inovação vai muito além da tela do celular nas salas de aula
17/06/2026 15h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Gilberto Vargas Jr

O celular continua guardado na mochila, mas a tecnologia nunca esteve tão presente nas escolas estaduais de Mato Grosso do Sul. Em vez de telas individuais disputando a atenção dos alunos, o que se vê agora são lousas interativas, laboratórios modernos, plataformas digitais e até robôs construídos pelos próprios estudantes, em uma transformação que está mudando a forma de ensinar e aprender na Rede Estadual de Ensino.

A mudança ganhou força após a regulamentação do uso de celulares nas escolas estaduais em 2025. Longe de representar um retrocesso tecnológico, a medida abriu espaço para uma nova fase da educação pública, marcada por investimentos superiores a R$ 100 milhões em infraestrutura digital, equipamentos e recursos pedagógicos.

Na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, a estudante Emily de Oliveira percebeu rapidamente a diferença. Acostumada ao uso de projetores convencionais, ela encontrou uma realidade mais dinâmica ao se deparar com uma lousa interativa de 75 polegadas capaz de exibir mapas, vídeos, gráficos e atividades em tempo real.

“Vim de uma escola particular que ainda usava Datashow. Agora, as aulas estão mais interessantes”, relata a estudante do 3º ano do Ensino Médio.

O novo cenário mostra que a tecnologia não deixou a escola. Pelo contrário. Ela passou a ser utilizada de forma mais organizada, coletiva e alinhada aos objetivos pedagógicos. Enquanto os celulares permanecem guardados durante as aulas, professores e estudantes contam com ferramentas desenvolvidas para ampliar a aprendizagem e garantir maior participação em sala.

Um dos destaques é a plataforma de protagonismo digital, que reúne conteúdos educacionais alinhados ao currículo escolar e oferece suporte tanto para alunos quanto para professores. Para a professora de inglês Luzimar Cristiane, a iniciativa também ajuda a reduzir desigualdades.

“É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. O acesso à educação digital não depende do celular de cada estudante, mas da estrutura oferecida pela escola”, destaca.

Mas a revolução tecnológica não acontece apenas dentro das salas de aula. Em diversas cidades do Estado, estudantes estão colocando a mão na massa e descobrindo novas possibilidades por meio da robótica educacional.

Na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, em Dourados, o aluno Sidney Matheus Ferraz Sanchez, do 9º ano, viveu a emoção de construir seu primeiro robô. Utilizando sensores, motores, baterias e programação, ele viu a teoria ganhar vida.

“A gente começa montando e acaba criando um robô. Quando ele se movimenta, parece que ganhou vida”, conta o estudante.

A experiência aproxima disciplinas como matemática, física e lógica da realidade dos alunos, transformando conceitos abstratos em desafios práticos e estimulando habilidades como criatividade, resolução de problemas e trabalho em equipe.

Em Aquidauana, a chegada da robótica também abriu novas portas. Pela primeira vez, estudantes da Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro foram inscritos na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR 2026). Entre eles está Pietro Miguel da Rocha Ferreira, aluno do 5º ano do Ensino Fundamental.

“Eu achava que robótica era coisa de faculdade. Agora descobri que é para quem quer aprender. Quero continuar criando e desenvolvendo”, afirma.

As histórias de Emily, Sidney e Pietro representam uma mudança que vai além da aquisição de equipamentos. Elas mostram uma nova forma de pensar a educação pública, em que a tecnologia deixa de ser apenas um recurso complementar e passa a integrar a construção do conhecimento.

Ao substituir a dependência dos aparelhos individuais por investimentos em estrutura, capacitação e inovação, Mato Grosso do Sul busca formar estudantes preparados para os desafios de um mundo cada vez mais digital. A tecnologia continua presente, mas agora com um propósito mais claro: ensinar melhor, despertar o interesse dos alunos e construir oportunidades para o futuro.

O celular saiu das mãos durante as aulas. Mas a inovação permaneceu, mais forte, acessível e transformadora do que nunca.