A corrida eleitoral de 2026 já movimenta intensamente os bastidores da política sul-mato-grossense. A disputa pelas duas vagas ao Senado se transformou no principal foco das articulações partidárias, enquanto pesquisas, alianças e disputas internas começam a redesenhar o cenário eleitoral no Estado.
Levantamentos encomendados pelo Partido Liberal (PL) reforçaram uma tendência que já vinha sendo apontada por pesquisas divulgadas nos últimos meses: o ex-deputado estadual Capitão Contar aparece como um dos nomes mais competitivos para a disputa ao Senado. Os dados também indicam que o ex-governador Reinaldo Azambuja mantém forte influência eleitoral e continua entre os favoritos do eleitorado.
Por outro lado, os números acenderam um alerta dentro do próprio PL. O deputado federal Marcos Pollon, que conta com apoio declarado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enfrenta dificuldades para alcançar os mesmos índices de intenção de voto dos principais concorrentes. Nos levantamentos internos, Pollon aparece atrás de nomes como Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad e Soraya Thronicke, aumentando a pressão sobre a direção nacional do partido para definir a composição da chapa.
A indefinição tem provocado um impasse dentro do PL. Enquanto lideranças estaduais defendem o critério das pesquisas para escolha dos candidatos, integrantes ligados à família Bolsonaro pressionam para garantir espaço a Pollon. O resultado é um adiamento das decisões e uma disputa que se intensifica nos bastidores.
Enquanto o PL busca consenso, o PSDB trava uma batalha pela sobrevivência política. Após perder importantes lideranças e ficar sem representantes na Câmara Federal, o partido aposta em uma chapa formada por vereadores e lideranças regionais para tentar voltar a conquistar uma vaga em Brasília.
A estratégia tucana ganhou importância após as mudanças nas regras eleitorais, que aumentaram as chances de partidos menores conquistarem cadeiras na Câmara dos Deputados. Caso o PSDB consiga eleger um deputado federal, poderá alterar os cálculos de legendas maiores, como a federação formada por União Brasil e Progressistas, que trabalha para manter uma ampla bancada no Congresso Nacional.
No campo da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra diretamente na disputa política sul-mato-grossense. Com visita confirmada a Mato Grosso do Sul na próxima semana, Lula pretende fortalecer os pré-candidatos aliados e consolidar a construção de um palanque competitivo para as eleições.
A estratégia petista inclui o apoio ao ex-deputado federal Fábio Trad na disputa pelo Governo do Estado e à reeleição da senadora Soraya Thronicke. Já o deputado federal Vander Loubet aparece como um dos principais nomes da federação para a corrida ao Senado.
Além das movimentações partidárias, a pré-campanha já tomou conta das ruas. Adesivos de pré-candidatos começaram a se espalhar por veículos em Campo Grande e em cidades do interior, demonstrando que, mesmo antes do início oficial da propaganda eleitoral, a disputa pela atenção do eleitor já está em andamento.
Com o PL dividido sobre a definição de sua chapa, o PSDB tentando se reinventar, a esquerda mobilizada com a presença de Lula e partidos do centro articulando candidaturas competitivas, Mato Grosso do Sul caminha para uma das eleições mais disputadas dos últimos anos, com a corrida pelo Senado se consolidando como o principal campo de batalha político de 2026.