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Racha no PT e impasse no PL agitam corrida eleitoral em MS às vésperas da visita de Lula
Desistência de Maurício Bumlai da chapa de Vander Loubet expõe crise interna petista, enquanto aliados de Bolsonaro seguem divididos sobre nome para composição majoritária
22/06/2026 12h40 Atualizada há 54 minutos
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A pré-campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em uma semana decisiva marcada por disputas internas, rompimentos políticos e indefinições nas principais forças partidárias do Estado. Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Ponta Porã, o Partido dos Trabalhadores voltou a expor publicamente suas divergências, enquanto o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não conseguiu fechar sua composição para a disputa majoritária.

O principal fato político dos últimos dias foi a recusa do empresário Maurício Bumlai em assumir a primeira suplência da pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado. A decisão representou um duro golpe nos planos do parlamentar e evidenciou o desgaste provocado pelas disputas internas no partido.

Nos bastidores, a saída de Bumlai foi atribuída ao clima de hostilidade criado após críticas do deputado estadual Zeca do PT, da deputada federal Camila Jara e da vereadora Luiza Ribeiro contra a ex-secretária estadual de Cidadania Viviane Luiza (PSDB), pré-candidata à Câmara Federal e companheira do empresário.

A crise ganhou proporções ainda maiores após declarações atribuídas a Zeca envolvendo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. O episódio aprofundou o desconforto de Bumlai e acabou desencadeando uma reação de Vander, que teria demonstrado forte insatisfação com o chamado "fogo amigo" dentro do partido.

Embora o deputado federal tenha divulgado nota afirmando ter recebido a decisão com tranquilidade e negado rompimento formal com Zeca do PT, aliados reconhecem que o episódio produziu desgaste justamente no momento em que o PT buscava demonstrar unidade para recepcionar Lula em Mato Grosso do Sul.

A visita presidencial, prevista para esta semana no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, era vista como oportunidade para fortalecer o palanque petista e impulsionar a pré-candidatura de Vander ao Senado. Agora, porém, a agenda acontece sob a sombra de uma crise interna que voltou a expor antigas divisões do partido no Estado.

Enquanto o PT enfrenta turbulências, o campo da direita também convive com incertezas. No Partido Liberal, permanece indefinido quem ocupará a vaga na chapa majoritária liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).

Pesquisas internas apontaram o ex-deputado Capitão Contar como favorito para a composição, mas a palavra final ainda depende do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. O impasse mantém a disputa aberta entre Contar e o deputado federal Marcos Pollon, nome defendido por setores bolsonaristas e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A demora na definição tem aumentado a tensão entre os grupos internos do PL, que aguardam uma decisão definitiva da direção nacional para encerrar as especulações.

Já no grupo governista estadual, a tendência é de estabilidade. O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), consolidou espaço político e caminha para repetir a dobradinha com Eduardo Riedel na disputa pela reeleição.

Após meses de especulações sobre uma possível troca na vice, Barbosinha ampliou sua articulação política, intensificou visitas ao interior e conquistou apoio de lideranças importantes. Caso a composição seja confirmada, ele quebrará uma tradição da política sul-mato-grossense, já que nenhum governador reeleito desde a implantação da reeleição manteve o mesmo vice na chapa.

Com pouco mais de três meses para o primeiro turno e as convenções partidárias se aproximando, os movimentos dos bastidores mostram que a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase decisiva. Entre crises internas, articulações e definições pendentes, os partidos aceleram negociações para chegar fortalecidos ao período oficial da campanha.