A corrida pelo Senado em Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo nos bastidores da direita. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar, deverá deixar de apoiar a candidatura do deputado federal Marcos Pollon (PL) ao Senado e anunciar uma nova composição para a disputa, tendo como principais nomes o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).
A informação foi divulgada pelo jornalista Paulo Cappelli, e representa uma reviravolta política para Pollon, que até poucos meses era tratado como o principal nome bolsonarista para a vaga.
Em fevereiro deste ano, Bolsonaro havia surpreendido ao divulgar, por intermédio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, um bilhete no qual apontava Pollon como seu primeiro candidato ao Senado em todo o Brasil. A declaração foi amplamente utilizada pelo parlamentar em sua pré-campanha e se tornou uma das principais bandeiras de sua candidatura.
Entretanto, pesquisas internas do PL indicaram dificuldades de crescimento eleitoral de Pollon, especialmente diante da senadora Soraya Thronicke (PSB), que busca a reeleição e mantém forte presença entre eleitores conservadores. O cenário levou o comando partidário a reconsiderar a estratégia para a disputa.
A mudança também confirma um movimento antecipado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia defendido a realização de pesquisas como critério para definir os nomes que representariam o bolsonarismo na corrida ao Senado.
Com a possível troca de rota, Capitão Contar surge fortalecido. Ex-candidato ao Governo do Estado em 2022, quando chegou ao segundo turno contra Eduardo Riedel (PP), Contar migrou para o PL justamente para disputar uma vaga ao Senado e passou a ser visto por setores do partido como um dos nomes com maior potencial eleitoral.
Outro beneficiado pela reconfiguração é o ex-governador Reinaldo Azambuja. Após deixar o PSDB e ingressar no PL a convite de Bolsonaro, ele consolidou espaço dentro da sigla e aparece como uma das principais apostas do partido para ampliar sua representação no Congresso Nacional.
A possível exclusão de Pollon da lista de prioridades do ex-presidente reforça a intensa disputa interna dentro do bolsonarismo sul-mato-grossense. Nos bastidores, lideranças do PL admitem que a definição dos nomes para a eleição de outubro tem sido marcada por divergências e pela influência direta do núcleo político ligado à família Bolsonaro.
Caso a nova composição seja confirmada, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja deverão enfrentar uma disputa acirrada contra adversários já colocados no cenário eleitoral, como o deputado federal Vander Loubet (PT), a senadora Soraya Thronicke (PSB), o empresário Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL) e Daniel Júnior (Agir).
A pouco mais de três meses do primeiro turno, a movimentação evidencia que a disputa pelas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul permanece aberta e sujeita a mudanças de última hora, tornando a eleição uma das mais imprevisíveis dos últimos anos no Estado.