Política Cerco ao Executivo
Após sessões travadas, Câmara aperta o cerco sobre Prefeitura e cobra explicações de contratos milionários de tapa-buracos
Vereadores destravam pauta, aprovam projetos sociais e aumentam pressão sobre gestão municipal ao exigir documentos e detalhes da execução dos serviços que seguem alvo de reclamações da população
23/06/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

Depois de duas sessões marcadas pela paralisação das votações, a Câmara Municipal de Campo Grande retomou os trabalhos nesta terça-feira (23) em meio a um movimento que vai além da aprovação de projetos: os vereadores elevaram o tom da cobrança contra a Prefeitura e decidiram aprofundar a fiscalização dos contratos de tapa-buracos, um dos serviços mais criticados pela população da Capital.

O impasse que travou a pauta teve origem no pedido de vistas apresentado pelo vereador Marquinhos Trad (PV) ao projeto da Prefeitura que autoriza a abertura de crédito adicional de R$ 5,2 milhões para diferentes áreas da administração municipal. Como a proposta tramitava em regime de urgência e o prazo já estava vencido, nenhuma outra matéria pôde ser votada até a liberação da pauta.

Superado o impasse, os vereadores aprovaram 13 projetos. No entanto, o principal recado da sessão foi direcionado ao Executivo.

Em uma demonstração de que a insatisfação com a situação das ruas chegou ao Legislativo, a Câmara aprovou três requerimentos exigindo informações detalhadas sobre contratos, aditivos, fiscalização e execução dos serviços de tapa-buracos realizados em Campo Grande.

A cobrança ocorre em um momento em que moradores de diversas regiões da cidade continuam denunciando buracos, remendos de baixa durabilidade e demora nos reparos, apesar dos investimentos realizados pela administração municipal.

O presidente da Câmara, vereador Papy, deixou claro que a população exige respostas e que cabe ao Legislativo fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

Os requerimentos solicitam cópias integrais de contratos, documentos de licitação, critérios para definição dos valores contratados, relatórios de fiscalização e detalhes sobre a execução dos serviços realizados pelas empresas responsáveis pelas obras.

Pela Lei Orgânica do Município, a Prefeitura terá prazo de 15 dias para responder aos questionamentos. O não atendimento pode configurar infração político-administrativa.

Enquanto endureciam a fiscalização, os vereadores também avançaram na pauta legislativa. Entre os projetos aprovados está a criação do Programa Municipal de Acompanhamento Pós-Alta Hospitalar, que prevê suporte médico, psicológico e social para pacientes após deixarem unidades de saúde, buscando reduzir reinternações e complicações.

A sessão ainda aprovou homenagens a personalidades que deixaram contribuições relevantes para a cidade, como a comerciante Clotilde Faustino Limeira, conhecida por décadas vendendo pipoca na região da antiga rodoviária, e a advogada e líder comunitária Gislaine Eilert Barcellos.

Também foi criada a Medalha Bons Exemplos, destinada a reconhecer cidadãos e instituições que promovem ações de impacto social em Campo Grande.

Apesar da extensa pauta de homenagens e projetos sociais, o tema que dominou os bastidores foi a pressão sobre a Prefeitura. A aprovação dos requerimentos sinaliza que a Câmara pretende intensificar o acompanhamento dos contratos públicos e responder às cobranças cada vez mais frequentes da população sobre a qualidade dos serviços prestados.

Com ruas ainda castigadas por buracos e reclamações espalhadas por diferentes bairros da Capital, os vereadores decidiram colocar a lupa sobre os gastos e a execução das obras. A partir de agora, a gestão municipal terá de apresentar respostas detalhadas sobre onde os recursos estão sendo aplicados e quais resultados estão sendo entregues à população.