Brasil Abalos sísmicos
Terremotos na Venezuela são sentidos no Brasil e provocam susto em quatro capitais
Tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 deixaram ao menos 32 mortos no país vizinho; especialistas descartam riscos de danos estruturais em cidades brasileiras
25/06/2026 13h40
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) provocaram reflexos em território brasileiro e foram sentidos por moradores de pelo menos quatro capitais da Região Norte. Segundo a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), os abalos sísmicos foram percebidos em Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR) e Macapá (AP), além de diversos municípios do interior desses estados.

Os dois terremotos ocorreram por volta das 19h (horário de Brasília) e registraram magnitudes de 7,2 e 7,5. O epicentro do tremor mais intenso foi localizado próximo à cidade de Morón, no estado venezuelano de Carabobo, na costa do Caribe, a aproximadamente 13 quilômetros de profundidade.

No Brasil, moradores relataram momentos de apreensão após perceberem prédios balançando e objetos se movimentando dentro de residências e apartamentos. Em Manaus e Belém, alguns edifícios chegaram a ser evacuados preventivamente enquanto equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros realizavam vistorias para verificar possíveis riscos.

Na capital paraense, inspeções técnicas foram realizadas em prédios localizados nos bairros Umarizal, Jurunas, Cremação e Pedreira. Apesar do susto, as autoridades não registraram vítimas nem danos estruturais significativos relacionados aos reflexos dos tremores.

De acordo com o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), eventos dessa magnitude podem ser percebidos a grandes distâncias. O sismólogo Bruno Collaço explicou que a intensidade dos abalos e sua profundidade favorecem a propagação das ondas sísmicas por milhares de quilômetros.

“É relativamente comum que sismos dessas magnitudes e com essas profundidades sejam sentidos a vários quilômetros de distância do epicentro”, afirmou o especialista.

Collaço ressaltou, entretanto, que não há risco para as cidades brasileiras devido à grande distância entre o epicentro e o território nacional.

“Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras”, explicou.

Embora especialistas não consigam prever a ocorrência de novos eventos, a expectativa é de que haja réplicas nos próximos dias, situação considerada comum após terremotos de grande magnitude.

Enquanto o Brasil registrou apenas reflexos dos tremores, a situação na Venezuela é considerada grave. Segundo balanço divulgado pelo governo venezuelano, os terremotos deixaram pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos. O número pode aumentar, já que ainda há dificuldades para contabilizar os impactos em algumas regiões afetadas.

A presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, classificou o estado de La Guaira, vizinho à capital Caracas, como uma “zona de desastre”. Segundo ela, dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves danos estruturais.

Diante da tragédia, o governo suspendeu aulas e atividades não essenciais do serviço público, além de disponibilizar hotéis e abrigos para acolher famílias que perderam suas casas ou tiveram imóveis comprometidos pelos abalos.

O episódio chamou a atenção para a força dos fenômenos geológicos que atingem a região do Caribe e demonstrou como terremotos de grande magnitude podem ser sentidos muito além de suas áreas de origem, alcançando inclusive cidades brasileiras situadas a milhares de quilômetros do epicentro.