A corrida eleitoral de 2026 ganhou novos capítulos em Mato Grosso do Sul nesta semana. Questionamentos sobre pesquisas eleitorais, impasse na definição da chapa do Partido Liberal (PL), críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a adversários políticos durante agenda no Estado e a confirmação da candidatura da ex-senadora Simone Tebet (PSB) ao Senado por São Paulo movimentaram os bastidores da sucessão estadual e nacional.
Um dos fatos que mais repercutiu foi a iniciativa da Federação União Progressista (União Brasil/PP), presidida no Estado pela senadora Tereza Cristina, que ingressou na Justiça para obter acesso aos dados completos da pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Ipems, que mediu as intenções de voto para o Governo do Estado e o Senado.
A federação solicitou uma série de documentos, entre eles o plano amostral, planilhas de controle e verificação da coleta, memória de cálculo da margem de erro, critérios utilizados na definição das cotas por gênero, idade, escolaridade, classe socioeconômica e área pesquisada, além do relatório entregue ao contratante com todos os resultados obtidos.
Ao analisar o pedido, a juíza Mariel Cavalin determinou que o instituto apresente, no prazo de dois dias, as planilhas de controle e verificação da coleta, o plano amostral, o relatório final da pesquisa, o número de entrevistas realizadas e a identificação dos entrevistadores e supervisores, limitada ao nome completo e CPF.
Por outro lado, a magistrada rejeitou o pedido para divulgação de endereços e vínculos empregatícios dos entrevistadores, entendendo que a legislação eleitoral não autoriza esse tipo de informação e que deve prevalecer a proteção de dados pessoais, preservando também o sigilo dos entrevistados.
Enquanto isso, o PL voltou a adiar a definição do segundo nome da legenda para disputar o Senado por Mato Grosso do Sul.
A expectativa era de que a escolha fosse anunciada ainda neste mês, mas a decisão acabou sendo novamente postergada. Agora, integrantes da sigla aguardam uma definição do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deverá divulgar nos próximos dias a composição das principais candidaturas do partido em diversos estados.
Nos bastidores, a disputa continua concentrada entre o ex-deputado estadual Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon.
Embora lideranças estaduais defendam que a definição siga os resultados das pesquisas internas, o peso político das decisões nacionais mantém o cenário indefinido. A situação ganhou novos ingredientes após divergências públicas entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro sobre a composição das candidaturas, ampliando a expectativa em torno da palavra final do ex-presidente.
Enquanto a direita vive indefinições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda em Mato Grosso do Sul marcada por anúncios de investimentos e também por manifestações políticas.
Durante visita à Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), em Três Lagoas, Lula oficializou a retomada das obras da fábrica, com investimento estimado em R$ 5 bilhões pela Petrobras e previsão de geração de aproximadamente oito mil empregos diretos. Em seu discurso, o presidente criticou decisões de governos anteriores relacionadas ao projeto e afirmou que houve "irresponsabilidade de muita gente, inclusive do agronegócio", em referência indireta à tentativa de venda da unidade durante a gestão anterior.
Lula também voltou a defender o fortalecimento das empresas públicas estratégicas e criticou políticas de privatização adotadas nos últimos anos, afirmando que a conclusão da fábrica reduzirá a dependência brasileira da importação de fertilizantes e ampliará a segurança alimentar do país.
Na sequência da agenda, em Ponta Porã, durante cerimônia de entrega de melhorias em aeroportos, o presidente também fez críticas, sem citar nomes, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que o Brasil não aceita interferências externas em seus assuntos internos.
O governador Eduardo Riedel (PP) não participou da agenda presidencial. Representado pelo vice-governador Barbosinha, Riedel cumpriu compromissos oficiais em Santa Rita do Pardo, mantendo distância política do evento em meio às articulações eleitorais para 2026.
Outra movimentação que chamou atenção foi a confirmação da candidatura da ex-senadora Simone Tebet ao Senado por São Paulo.
O anúncio foi feito pelo pré-candidato ao Governo paulista, Fernando Haddad (PT), que confirmou Tebet como integrante da chapa ao lado da deputada federal Marina Silva.
Durante participação na agenda presidencial em Três Lagoas, Simone afirmou que inicia um novo ciclo político ao aceitar disputar uma vaga no Senado por outro Estado, atendendo a um convite do presidente Lula. A ex-senadora, que construiu sua carreira política em Mato Grosso do Sul, deixa definitivamente o cenário eleitoral sul-mato-grossense e passa a integrar a principal aliança governista em São Paulo.
Com pesquisas sob questionamento judicial, indefinições na principal força de oposição e novas articulações envolvendo o Palácio do Planalto, Mato Grosso do Sul entra em uma fase decisiva da pré-campanha, na qual os próximos movimentos das lideranças nacionais tendem a influenciar diretamente o cenário eleitoral no Estado.