Mato Grosso do Sul Rota Bioceânica
Riedel aposta na Rota Bioceânica para transformar Mato Grosso do Sul em potência do suco de laranja
Governador apresenta potencial econômico do Estado a investidores chilenos, projeta expansão da citricultura e vê corredor bioceânico como caminho para ampliar exportações à Ásia
07/07/2026 15h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Mato Grosso do Sul quer ocupar um novo espaço no mercado internacional e aposta na citricultura como uma das principais vitrines da economia estadual. Durante o evento Dia Tarapacá MS Brasil, realizado nesta terça-feira (7), em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que a cadeia da laranja deverá se consolidar como um dos principais motores das exportações do Estado por meio da Rota Bioceânica, corredor logístico que ligará o Brasil aos portos do Chile e reduzirá significativamente o tempo de transporte para os mercados asiáticos.

Ao apresentar o potencial econômico de Mato Grosso do Sul para autoridades, empresários e investidores chilenos, Riedel destacou que a produção de suco concentrado de laranja representa uma das grandes apostas para a próxima década. Segundo o governador, o Estado já vive um movimento de migração da cadeia produtiva, atualmente concentrada em São Paulo, e reúne condições para se tornar uma nova plataforma de produção e exportação do produto.

"A próxima cadeia produtiva que estará em destaque é a da laranja. Mato Grosso do Sul terá uma plataforma de produção de suco concentrado e a Rota Bioceânica será estratégica para levar esse produto aos mercados internacionais", afirmou o governador.

Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) mostram que Mato Grosso do Sul já possui mais de 15 mil hectares de pomares em produção e aproximadamente sete milhões de mudas plantadas em municípios como Sidrolândia, Campo Grande, Três Lagoas, Brasilândia, Paranaíba e Naviraí. A expectativa do governo estadual é ampliar essa área para cerca de 100 mil hectares até 2030, consolidando a citricultura entre as principais atividades do agronegócio sul-mato-grossense.

Durante o encontro, Riedel também apresentou indicadores econômicos do Estado, ressaltando que Mato Grosso do Sul concentra atualmente cerca de R$ 81 bilhões em investimentos privados, figura entre os estados que mais investem recursos públicos no país e busca se tornar o primeiro estado brasileiro com neutralidade de carbono. Como exemplo desse ambiente favorável aos negócios, citou a instalação da primeira fábrica da empresa chilena Arauco no Brasil, em Inocência, empreendimento que deverá gerar aproximadamente 14 mil empregos durante o pico das obras.

Apesar do crescimento das relações comerciais, o governador observou que apenas 2,2% das exportações sul-mato-grossenses têm hoje o Chile como destino. Para ele, esse percentual está muito abaixo do potencial que será criado com a consolidação da Rota Bioceânica, considerada um dos principais projetos de integração econômica da América do Sul.

O evento também celebrou os três anos de funcionamento do escritório da Região de Tarapacá em Campo Grande, criado para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Chile. Segundo Riedel, a iniciativa tem permitido a troca permanente de informações sobre logística, comércio exterior e oportunidades de investimentos, aproximando empresários dos dois países e ampliando as possibilidades de novos negócios.

O governador da Região de Tarapacá, José Miguel Carvajal Gallardo, classificou a implantação da Rota Bioceânica como um marco histórico para a integração sul-americana. Segundo ele, além de impulsionar o comércio, o corredor fortalecerá o intercâmbio cultural, turístico e institucional entre Chile, Brasil, Paraguai e Argentina.

Quando concluída, a Rota Bioceânica poderá reduzir em cerca de 9,7 mil quilômetros o percurso marítimo das exportações brasileiras para a Ásia, encurtando o tempo de transporte para a China entre 12 e 17 dias. A expectativa é que a nova logística aumente a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses e consolide Mato Grosso do Sul como um dos principais corredores de exportação do continente.