O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi obrigado a recuar na estratégia de encerrar o subsídio concedido à gasolina depois que a nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã fez o preço do petróleo disparar no mercado internacional. A decisão, que seria anunciada nesta semana, foi adiada diante do temor de um novo aumento nos combustíveis e de seus reflexos na inflação.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a equipe econômica pretendia retirar o benefício de R$ 0,44 por litro, criado em maio para conter os impactos da alta do petróleo, mas decidiu aguardar uma definição do cenário internacional.
"Esta semana eu ia anunciar a retirada do subsídio da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo", afirmou o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.
A mudança de planos ocorreu depois que o barril do petróleo Brent voltou a subir e se aproximou da faixa de US$ 80 após novos ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã, encerrando o período de relativa estabilidade observado nas últimas semanas. Com isso, o governo optou por evitar um reajuste adicional que poderia ser sentido imediatamente pelos consumidores nos postos de combustíveis.
O episódio evidencia como a política de preços dos combustíveis voltou a ficar dependente das oscilações geopolíticas. Embora o governo defenda a retirada gradual dos subsídios para reduzir despesas públicas, a escalada da tensão no Oriente Médio obrigou a equipe econômica a rever o cronograma para evitar um impacto ainda maior sobre o custo de vida da população.
O adiamento também aumentou a pressão política sobre o Palácio do Planalto. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) realizará uma nova reunião na próxima terça-feira (14) para deliberar sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, dos atuais 30% para 32%. A nova data foi acertada após entendimento com os ministros Alexandre Silveira, de Minas e Energia, e Bruno Moretti, do Planejamento, depois que a reunião marcada para esta semana foi cancelada pelo governo.
Segundo Motta, durante as negociações o governo reafirmou que continua comprometido em extinguir o subsídio da gasolina, mas pediu mais prazo para executar a medida em razão da instabilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio.
A declaração reforça que a retirada do benefício continua nos planos da equipe econômica, embora dependa da estabilização das cotações internacionais do petróleo.
Além da discussão sobre o subsídio, o governo pretende ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética. O aumento da mistura obrigatória de etanol de 30% para 32% permanece como prioridade e deve ser analisado pelo CNPE na reunião da próxima semana.
Já a elevação da mistura de biodiesel no diesel para 16% ainda depende de estudos técnicos do Ministério de Minas e Energia para verificar a segurança da mudança para os motores dos veículos.
Enquanto isso, consumidores, setor sucroenergético e mercado financeiro acompanham a evolução da guerra no Oriente Médio. O governo pretendia iniciar a retirada dos incentivos ainda em julho, mas acabou demonstrando que, diante da volatilidade internacional, o ajuste fiscal continua subordinado ao comportamento do petróleo. A decisão final ficou para a próxima semana, quando Brasília terá de escolher entre aliviar as contas públicas ou evitar uma nova pressão sobre o preço da gasolina.