Política Recesso
Buracos dominam reclamações dos campo-grandenses e lideram atuação da Câmara no primeiro semestre
Quase 25 mil demandas chegaram ao Executivo por meio dos vereadores; um em cada três pedidos foi para tapa-buracos, enquanto transporte coletivo e fiscalização também marcaram os primeiros seis meses do ano
15/07/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Divulgação

A precariedade das ruas de Campo Grande continua sendo o principal retrato das reclamações da população. O balanço apresentado pela Câmara Municipal mostra que, entre janeiro e julho de 2026, quase um terço das 24.673 indicações encaminhadas pelos vereadores à Prefeitura foi destinado exclusivamente à operação tapa-buracos, evidenciando que a deterioração da malha viária permanece como o problema urbano mais recorrente da Capital.

Os números mostram que os gabinetes dos parlamentares se transformaram em uma espécie de central de reivindicações da população. Dos quase 25 mil pedidos enviados ao Executivo, aproximadamente 9 mil cobraram reparos no asfalto, volume que supera qualquer outra demanda apresentada durante o semestre.

A pressão levou os vereadores a convocarem o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Brandão, para explicar por que a cidade ainda convive com milhares de crateras. Durante a reunião, o Executivo alegou dificuldades financeiras, problemas contratuais e limitação das equipes responsáveis pelo serviço.

Mesmo diante das justificativas, o Legislativo manteve a cobrança. O presidente da Comissão de Obras, Flávio Cabo Almi, afirmou que a expectativa da população é por resultados concretos e não apenas por explicações administrativas.

Transporte também entrou na mira

Outro tema que marcou o semestre foi o transporte coletivo. Depois de mais de seis meses de investigação, a CPI do Transporte Coletivo produziu um relatório técnico que apontou falhas na prestação do serviço e recomendou a intervenção no Consórcio Guaicurus.

Meses depois, a Prefeitura adotou justamente essa medida, iniciando uma intervenção administrativa de até 180 dias. Agora, os vereadores prometem acompanhar o trabalho dos interventores e cobrar que as conclusões da CPI resultem em melhorias efetivas para os usuários, como renovação da frota e maior qualidade do serviço.

Produção legislativa

Além das ações de fiscalização, o relatório aponta uma intensa atividade legislativa no primeiro semestre. Foram aprovados 271 projetos, realizadas 41 sessões ordinárias, duas extraordinárias, 29 audiências públicas e 18 sessões solenes. A tribuna também foi utilizada por 26 cidadãos, reforçando a participação popular nas discussões da Casa.

Mais do que números

Para o presidente da Câmara, vereador Papy, os dados demonstram a função do Legislativo de intermediar as reivindicações da população junto ao Executivo. No entanto, o próprio balanço revela um diagnóstico preocupante: a repetição de milhares de pedidos para tapa-buracos mostra que a infraestrutura urbana continua sendo o principal desafio enfrentado pelos moradores de Campo Grande.

Enquanto a Câmara contabiliza quase 25 mil reivindicações encaminhadas, a população continua esperando que elas deixem o papel e se transformem em soluções nas ruas da Capital.