Política Eleições
Convenções expõem guerra por poder em MS e embaralham disputa pelo Senado e Governo
PL enfrenta disputa interna, pesquisas acirram a corrida ao Senado, PSDB tenta sobreviver após debandada e partidos entram na reta final das convenções em meio a alianças e incertezas
22/07/2026 13h30
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

As convenções partidárias transformaram Mato Grosso do Sul em um verdadeiro tabuleiro de disputas políticas. Enquanto os partidos correm contra o calendário eleitoral para fechar chapas e alianças, os bastidores são marcados por disputas internas, negociações de última hora e pesquisas que começam a influenciar as decisões das principais lideranças. A poucos dias do encerramento das convenções, o cenário permanece aberto tanto para o Governo do Estado quanto para as duas vagas ao Senado.

O movimento mais emblemático ocorreu dentro do Partido Liberal (PL). Após meses de especulações, a legenda decidiu oficializar o ex-deputado estadual Capitão Contar como segundo pré-candidato ao Senado ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja. A definição encerra a indefinição institucional do partido, mas não elimina a disputa política interna. O deputado federal Marcos Pollon continua sustentando que recebeu o compromisso de disputar uma das vagas e mantém pressão sobre a direção estadual, evidenciando que a unidade do PL ainda está longe de ser consenso.

A decisão ganhou ainda mais peso após a divulgação da pesquisa do Instituto Ranking em Campo Grande. O levantamento colocou Nelsinho Trad (PSD) na liderança do primeiro voto para o Senado, seguido de perto por Capitão Contar e Reinaldo Azambuja. O resultado confirma que a disputa pelas duas cadeiras será uma das mais competitivas dos últimos anos e mostra que o PL aposta em uma estratégia de "dobradinha" para ampliar suas chances de conquistar duas vagas na mesma eleição.

Na corrida pelo Governo do Estado, embora Eduardo Riedel (PP) permaneça na liderança, os números mostram que o cenário ainda não está consolidado. Em Campo Grande, a soma dos adversários alcança percentual suficiente para manter viva a possibilidade de segundo turno dentro da margem de erro, mantendo a eleição aberta e obrigando o grupo governista a intensificar sua articulação política.

Enquanto isso, o PSDB tenta evitar a perda de protagonismo. Depois de sofrer baixas durante a janela partidária, a legenda oficializou sua chapa de candidatos proporcionais e aposta na nova regra eleitoral para manter representação em Brasília e preservar espaço na Assembleia Legislativa. A convenção também escancarou uma disputa interna em Três Lagoas, onde os ex-dedeputados Eduardo Rocha e Ângelo Guerreiro voltarão a disputar o mesmo eleitorado, reeditando uma rivalidade que promete movimentar a campanha.

O PRD também mantém um dos maiores pontos de interrogação da eleição. O ex-senador Delcídio do Amaral ainda não definiu se disputará o Governo ou uma vaga na Câmara dos Deputados, condicionando sua decisão ao apoio que receberá da direção nacional do partido. A indefinição mantém abertas as possibilidades de composição do bloco oposicionista.

No campo governista, a senadora Soraya Thronicke confirmou que realizará uma convenção reservada para homologar sua candidatura e reforçou sua aproximação com a federação formada por PT, PV e PCdoB, indicando que as alianças nacionais também começam a influenciar o desenho político em Mato Grosso do Sul.

Com o prazo das convenções se encerrando em 5 de agosto e o registro das candidaturas previsto para 15 de agosto, a pré-campanha entra em sua fase mais intensa. Mais do que oficializar nomes, os partidos agora travam uma disputa estratégica por alianças, tempo de campanha e posicionamento eleitoral. O resultado dessas articulações poderá definir não apenas quem chegará mais forte às urnas, mas também o equilíbrio de forças políticas em Mato Grosso do Sul pelos próximos anos.