As articulações políticas para as eleições de 2026 ganharam intensidade em Mato Grosso do Sul nesta semana, com dois movimentos que mexem diretamente no cenário eleitoral do Estado. De um lado, o Partido Liberal (PL) ainda tenta encerrar a disputa interna pela candidatura ao Senado Federal. De outro, a desistência do deputado estadual Roberto Hashioka (Republicanos) da corrida à Câmara dos Deputados obriga o Republicanos a recalcular sua estratégia para ampliar sua representação em Brasília.
No PL, a indefinição gira em torno da escolha entre o ex-deputado estadual Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon para a disputa ao Senado. Embora Contar já apareça como o nome do partido no convite oficial para a convenção estadual marcada para o dia 1º de agosto, lideranças da legenda admitem, nos bastidores, que o assunto ainda não está completamente encerrado devido à influência da família Bolsonaro sobre a decisão.
Segundo informações de bastidores, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro continua defendendo que Pollon seja o candidato do partido em Mato Grosso do Sul. A movimentação explica o silêncio adotado por importantes lideranças da legenda. Nem o ex-governador Reinaldo Azambuja nem o senador Flávio Bolsonaro fizeram pronunciamentos públicos confirmando a escolha. Até o momento, apenas o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou apoio à candidatura de Capitão Contar.
Apesar da pressão, integrantes da direção estadual do partido avaliam que Contar permanece como o favorito para encabeçar a chapa ao Senado. Ainda assim, há preocupação de que uma eventual intervenção de Michelle Bolsonaro possa ampliar as divergências internas, repetindo conflitos semelhantes aos registrados em outros estados durante a formação das alianças eleitorais.
A definição deverá ocorrer durante a convenção estadual do PL, quando a legenda oficializará seus candidatos. Nos bastidores, dirigentes reconhecem que qualquer decisão poderá deixar sequelas políticas e exigir um esforço de pacificação durante a campanha.
A disputa também remete ao histórico eleitoral de 2022. Na ocasião, embora o PL integrasse a coligação que apoiou Eduardo Riedel ao Governo do Estado, o então presidente Jair Bolsonaro manifestou apoio público a Capitão Contar durante a campanha do segundo turno, fortalecendo sua candidatura.
Enquanto o PL tenta resolver sua disputa interna, outra movimentação importante ocorreu no Republicanos.
O deputado estadual Roberto Hashioka comunicou ao governador Eduardo Riedel (PP) que desistiu de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A decisão representa uma mudança significativa na estratégia eleitoral da legenda, que pretendia formar uma chapa competitiva para conquistar até duas cadeiras na bancada federal de Mato Grosso do Sul.
Hashioka havia deixado o União Brasil para ingressar no Republicanos justamente com o objetivo de disputar uma vaga de deputado federal, abrindo espaço para que sua esposa, a ex-deputada Dione Hashioka, buscasse retorno à Assembleia Legislativa.
Com sua saída da disputa, o partido perde um dos nomes considerados mais competitivos do interior do Estado.
A chapa do Republicanos segue tendo como principais candidatos o deputado federal Beto Pereira, os vereadores Isa Marcondes e Neto Santos, além do ex-secretário estadual de Desenvolvimento Jaime Verruck. Mesmo assim, lideranças reconhecem que a ausência de Hashioka dificulta o objetivo de alcançar cerca de 250 mil votos, patamar considerado necessário para viabilizar a eleição de dois deputados federais.
O Republicanos conquistou protagonismo na disputa após a filiação de Beto Pereira durante a janela partidária, quando também assumiu o comando estadual da legenda. Agora, a composição definitiva da chapa dependerá das convenções partidárias e da reorganização das estratégias eleitorais.
Com convenções marcadas para os próximos dias, os partidos aceleram as negociações para fechar nominatas e alianças. A definição do candidato ao Senado pelo PL e a reorganização da chapa do Republicanos são apontadas como dois dos principais movimentos que ainda podem alterar o desenho da disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul.