Cidades Violência
MS avança no triste ranking da violência contra a mulher e desafia autoridades a transformar estatísticas em ações efetivas
Estado tem a 4ª maior taxa de feminicídios do país e registra alta no descumprimento de medidas protetivas, reforçando a urgência de ações efetivas
23/07/2026 15h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

Mato Grosso do Sul voltou a figurar entre os estados mais violentos do país para as mulheres. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), revela que o Estado registrou a 4ª maior taxa de feminicídios do Brasil em 2025, consolidando um cenário que exige respostas mais rápidas e eficazes do poder público e de toda a rede de proteção às vítimas.

Os números mostram que, enquanto o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, Mato Grosso do Sul apresentou crescimento ainda mais expressivo. Foram 39 mulheres assassinadas por razões de gênero, contra 35 em 2024, um aumento de 10,5%, resultando em uma taxa de 2,6 feminicídios por 100 mil mulheres, a quarta maior do país.

O levantamento evidencia um cenário preocupante no Centro-Oeste, região que concentrou as maiores taxas nacionais de feminicídio, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas para enfrentar a violência doméstica e proteger mulheres em situação de risco.

Um dos casos que mais chocaram Mato Grosso do Sul em 2025 foi o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, morta dentro da própria residência em Campo Grande pelo então noivo. O crime tornou-se símbolo da gravidade da violência contra a mulher e reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas preventivas e da atuação da rede de proteção.

Medidas protetivas descumpridas acendem alerta

Outro dado considerado alarmante pelo Anuário é o crescimento do descumprimento das medidas protetivas.

Em 2025, Mato Grosso do Sul contabilizou 2.809 descumprimentos, um aumento de 21,5% em relação ao ano anterior. A taxa chegou a 96 ocorrências por 100 mil habitantes, colocando o Estado entre os piores do país nesse indicador e acima da média nacional.

Os números indicam que, embora muitas vítimas consigam obter proteção judicial, parte significativa dessas determinações continua sendo desrespeitada, expondo mulheres a novos episódios de violência e, em alguns casos, ao feminicídio.

Estado também registra alta dos homicídios

O cenário da segurança pública vai além da violência contra a mulher.

O Anuário aponta que Mato Grosso do Sul também caminhou na direção oposta da tendência nacional ao registrar aumento dos homicídios dolosos. Enquanto o Brasil reduziu esse tipo de crime em 2025, o Estado contabilizou crescimento de 454 para 486 vítimas, alta de 6,2%, além do aumento das ocorrências de 425 para 439 casos.

Os dados mais recentes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) mostram que, apenas entre janeiro e a primeira quinzena de julho de 2026, já haviam sido registradas 285 mortes por homicídio doloso, indicando que a violência continua elevada.

Quais medidas precisam ser fortalecidas

Os indicadores apontam que enfrentar esse cenário exige uma atuação integrada entre segurança pública, Justiça, assistência social e sociedade. Entre as medidas consideradas essenciais estão:

Rede de proteção está disponível

Em Campo Grande, mulheres em situação de violência podem buscar atendimento na Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas por dia e reúne, no mesmo espaço, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Vara de Medidas Protetivas, atendimento psicossocial, alojamento, Patrulha Maria da Penha e Guarda Civil Metropolitana.

Também estão disponíveis:

No interior, Delegacias de Atendimento à Mulher funcionam em municípios como Aquidauana, Corumbá, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã, Três Lagoas, Coxim, Jardim, Paranaíba, Bataguassu e Fátima do Sul.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforça que seus dados são produzidos com base em informações oficiais das secretarias estaduais de segurança pública, polícias e demais órgãos responsáveis, servindo como instrumento para avaliar políticas públicas e orientar ações voltadas à redução da violência. Os números divulgados para Mato Grosso do Sul mostram que o desafio vai além da repressão aos crimes: passa pela prevenção, pelo cumprimento efetivo das medidas de proteção e por uma resposta rápida antes que novas mulheres entrem para uma estatística que o Estado precisa urgentemente reduzir.