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Movimentação política em MS expõe alianças abaladas e desafia unidade do campo conservador
Com convenções em andamento, disputa pelo Senado coloca antigos aliados em lados opostos e reacende divisões na família Trad; cenário eleitoral entra em fase decisiva em Mato Grosso do Sul
28/07/2026 13h00
Por: Tatiana Lemes
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul entrou em uma semana decisiva e marcada por fortes tensões políticas. O centro da disputa está nas duas vagas ao Senado, onde o senador Nelsinho Trad (PSD), candidato à reeleição, tenta manter sua candidatura em meio ao isolamento político, à indefinição de suplentes e ao avanço da articulação do grupo liderado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). As definições finais das chapas devem ocorrer até 1º de agosto, data das convenções do PSD, PL e partidos aliados.

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Nos bastidores, Nelsinho convidou o ex-ministro Carlos Marun (MDB) para a primeira suplência, numa tentativa de atrair o MDB para sua chapa. O movimento, porém, esbarrou em um impasse jurídico: como o MDB decidiu integrar a coligação de Eduardo Riedel (PP), o partido fica vinculado às candidaturas de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar (PL) ao Senado. Sem uma autorização do Tribunal Superior Eleitoral para apoiar oficialmente dois candidatos ao Senado, o MDB recuou da indicação de Marun e não deve declarar apoio formal a Nelsinho.

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Mesmo sem apoio oficial, lideranças emedebistas admitem, reservadamente, que parte da militância e de candidatos proporcionais pretende manter apoio informal ao senador, especialmente no chamado “chão da campanha”. A estratégia discutida no partido seria reduzir a presença de Capitão Contar em materiais de campanha e concentrar o segundo voto em Nelsinho, ainda que isso ocorra sem chancela formal da coligação. O tema foi debatido em reuniões internas do MDB nesta semana.

A situação revela o grau de desconforto dentro da base governista. O acordo político firmado após as eleições de 2022 previa o apoio do MDB ao projeto de continuidade liderado por Riedel e Reinaldo, mas não teria deixado clara a obrigação de apoiar o segundo nome escolhido pela coligação para o Senado. Esse detalhe jurídico e político transformou-se agora em um dos pontos mais sensíveis da eleição sul-mato-grossense.

O clima também mudou na relação entre Nelsinho e Reinaldo Azambuja. Segundo apuração de bastidores, o senador já foi avisado de que, caso mantenha a candidatura, passará a ser tratado como adversário do grupo do PL. Reinaldo teria iniciado conversas com prefeitos e aliados para reforçar que o apoio prioritário deverá ser dado a ele e a Capitão Contar, movimento que tende a se intensificar após as convenções partidárias.

A disputa ganhou contornos ainda mais delicados por envolver a família Trad. Enquanto Nelsinho permanece no PSD, partido que apoiará Eduardo Riedel ao governo, seus irmãos seguem em outro campo político: Fábio Trad foi oficializado candidato ao governo pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e Marquinhos Trad disputará vaga de deputado federal pela mesma federação. A nova divisão familiar lembra o racha de 2022, quando Marquinhos apoiou Capitão Contar no segundo turno e Nelsinho ficou com Riedel, episódio que deixou marcas profundas na relação política entre os irmãos.

Nos bastidores do PL, uma das estratégias atribuídas ao grupo de Reinaldo seria associar Nelsinho ao campo petista, explorando o fato de seus irmãos estarem na federação liderada pelo PT. O objetivo seria evitar que o senador capture votos do eleitorado de direita e centro-direita, hoje disputados por Reinaldo, Contar e o próprio Nelsinho.

Paradoxalmente, Nelsinho chega a essa disputa após uma longa parceria com Reinaldo Azambuja. Em 2014, depois de perder a eleição ao governo, declarou apoio ao então candidato tucano no segundo turno. Em 2018, os dois repetiram a aliança: Reinaldo foi reeleito governador e Nelsinho conquistou uma das vagas ao Senado. Agora, a antiga dobradinha dá lugar a uma disputa direta pelo mesmo eleitorado.

Além das tensões no Senado, o calendário das convenções já começou a desenhar o quadro estadual. O Agir lançou Jefferson Bezerra ao governo; a Federação PSOL/Rede confirmou Lucien Rezende; e a Federação Brasil da Esperança oficializou Fábio Trad ao governo e Vander Loubet ao Senado, em composição com o PSB e a senadora Soraya Thronicke. Até 5 de agosto, PP, DC e Novo ainda devem definir seus nomes.

O PSDB/Cidadania também realizou convenção estadual e homologou chapas para deputado federal e estadual, reforçando o alinhamento ao projeto de continuidade do governador Eduardo Riedel. O presidente estadual da sigla, Caravina, afirmou que a federação pretende ampliar sua presença na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Enquanto isso, Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad e Capitão Contar mantêm sob sigilo os nomes de seus suplentes, uma das últimas peças em aberto antes da homologação definitiva das candidaturas. Nelsinho chegou a desmentir a informação de que o empresário Saulo Batista teria sido escolhido para a primeira suplência, apesar das especulações envolvendo o PSD nacional.

Com as convenções avançando e as alianças sendo testadas ao limite, a eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul deixa de ser apenas uma disputa por cargos e passa a refletir uma reorganização mais profunda das forças políticas do Estado. Antigos aliados se afastam, partidos convivem com divisões internas e a corrida ao Senado se consolida como o terreno mais imprevisível e decisivo da política sul-mato-grossense neste momento.